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Data centers, IA e carros elétricos desafiam o futuro da energia no Brasil

Crescimento acelerado do consumo elétrico e alta no custo da energia impulsionam debate sobre sistemas de armazenamento

Data centers, IA e carros elétricos desafiam o futuro da energia no Brasil
Welington Civiero
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A inteligência artificial responde perguntas em segundos. Vídeos são carregados instantaneamente nas redes sociais. Carros elétricos ganham espaço nas ruas. Por trás dessa revolução tecnológica, porém, existe uma questão que começa a preocupar os consumidores: o Brasil está preparado para atender à crescente demanda por energia? Para especialistas, o desafio não está apenas em produzir mais energia, mas em armazená-la e distribuí-la de forma eficiente.

O debate ganhou força com a expansão dos data centers — estruturas responsáveis pelo armazenamento e processamento de dados utilizados por plataformas digitais, serviços em nuvem e sistemas de inteligência artificial.Um dos exemplos mais recentes é o anúncio da construção de um mega data center do TikTok no Ceará. A estrutura terá consumo inicial estimado em 200 megawatts (MW), podendo chegar a 300 MW, volume equivalente ao consumo de uma cidade com aproximadamente 2 milhões de habitantes.

O empreendimento é apenas um dos diversos investimentos previstos para os próximos anos. Além dos data centers, o crescimento da inteligência artificial, da digitalização da economia e da frota de veículos elétricos deve ampliar significativamente a necessidade de energia no país.
"O Brasil possui uma das matrizes energéticas mais limpas do mundo, com forte participação das fontes solar e eólica. Em muitos momentos, principalmente em regiões como o Nordeste, até existe excesso de geração. O problema é que ainda temos limitações para armazenar essa energia e utilizá-la quando realmente precisamos dela", explica Luis H. Schuster, diretor da SolarPro Sistemas de Energia.
Segundo ele, a falta de capacidade de armazenamento faz com que parte da energia produzida seja desperdiçada ou que usinas precisem reduzir a geração em determinados períodos.

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Medo
Ao mesmo tempo, empresas, indústrias e serviços essenciais continuam vulneráveis a interrupções no fornecimento, oscilações na rede elétrica e eventos climáticos extremos.
"O apagão nacional de 2023 mostrou como uma falha pode se espalhar rapidamente em um sistema altamente interligado. À medida que a demanda cresce, a segurança energética passa a ser uma preocupação cada vez maior para empresas e instituições", afirma Schuster.
Armazenar energia é a nova fronteira
Diante desse cenário, os sistemas de armazenamento em baterias, conhecidos pela sigla BESS (Battery Energy Storage System), vêm ganhando espaço em diversos países.
A tecnologia funciona como um grande reservatório de energia. O sistema armazena eletricidade produzida por usinas solares ou adquirida da rede em horários de menor custo, disponibilizando-a nos momentos de maior demanda, tarifas mais elevadas ou interrupções no fornecimento.
Além de servir como backup, o BESS pode reduzir custos operacionais, estabilizar a rede elétrica, minimizar oscilações e aumentar a autonomia energética de empresas e instituições.
"A próxima grande revolução do setor energético não será apenas produzir energia limpa. Será armazená-la com eficiência para utilizá-la quando necessário", destaca o diretor de vendas da Canadian Solar Brasil, Rodrigo Melão.
Pioneirismo catarinense

Em Santa Catarina, um dos exemplos dessa tendência está no Bioparque Zoo Pomerode.
O empreendimento tornou-se o primeiro zoológico da América Latina a investir em um Sistema de Armazenamento de Energia em Bateria. O equipamento escolhido foi o KuBank 2.0, da Canadian Solar, com capacidade de armazenamento de 277 kWh — energia suficiente para abastecer uma residência média durante aproximadamente um mês. Pesando cerca de 3,4 toneladas, o equivalente ao peso de um elefante asiático jovem, o sistema permitirá ao zoológico armazenar a energia produzida por sua usina solar e utilizá-la de forma estratégica.
"O investimento do Zoo Pomerode em autonomia energética começou em 2021, com a implantação da energia solar, e agora entra em uma nova etapa com a adoção de sistemas de armazenamento. Nosso objetivo é aumentar a eficiência da operação e garantir mais segurança energética e redução de custos para o empreendimento", afirma Maurício Bruns, diretor do Bioparque Zoo Pomerode.
Tecnologia em expansão
O avanço dos sistemas de armazenamento de energia foi tema de um encontro realizado em Pomerode pela SolarPro Sistemas de Energia e pela Canadian Solar Brasil, reunindo empresários, gestores e especialistas para discutir os desafios energéticos dos próximos anos.

Para os participantes, o crescimento dos data centers, da inteligência artificial e da mobilidade elétrica aponta para uma transformação inevitável no setor. Se no passado a preocupação era produzir energia suficiente, agora o foco passa a ser garantir que ela esteja disponível no momento certo. E, para isso, armazenar energia será tão importante quanto gerá-la.

FONTE/CRÉDITOS: New Age Comunicação Liliani Bento

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