A crise na Fifa ganhou um novo capítulo nesta segunda-feira (10) com a publicação de uma carta aberta assinada conjuntamente por Uefa, Concacaf e AFC. As três confederações afirmaram publicamente que o futebol "não pertence a nenhum indivíduo", direcionando duras críticas à condução do presidente da entidade, Gianni Infantino.
No documento, as entidades destacam que a liderança esportiva não deve ser encarada como uma posse pessoal nem servir para acúmulo de poder. Elas apontam uma ruptura fundamental da confiança coletiva devido a atitudes autoritárias da atual gestão da instituição.
Divisão no mapa do futebol mundial
Apesar do posicionamento firme dos blocos europeu, das Américas do Norte e Central e asiático, Infantino ainda preserva alianças estratégicas. Entidades influentes como a Conmebol, a CAF (África) e a OFC (Oceania) mantêm apoio ao dirigente, dividindo o cenário político antes da eleição presidencial do ano que vem.
A Fifa, por sua vez, reagiu defendendo seu mandatário e alegando a existência de um movimento orquestrado para desestabilizar a administração. A declaração ocorreu em meio a denúncias de favorecimento pessoal atribuídas ao dirigente durante sua passagem anterior pela Uefa.
Projetos polêmicos e ameaça de boicote
O descontentamento explodiu após a proposta do ítalo-suíço de abrir a Fifa a investidores privados, plano que acabou suspenso após forte pressão. Mesmo com pedidos formais de desculpas da entidade internacional, a tensão permaneceu elevada nos bastidores do esporte.
Diante da gravidade da situação, a Uefa reforçou que não descarta a possibilidade de boicotar as próximas edições da Copa do Mundo. Para o bloco opositor, os episódios recentes representam falhas graves de julgamento e de transparência que exigem profunda prestação de contas.