Em manifestações públicas e nas redes sociais, uma mensagem tem ganhado força: “Nós, catarinenses, não aceitamos que seja imposto quem deve ser candidato ao Senado.”
A frase, que se espalhou como símbolo da insatisfação popular, representa o sentimento de que decisões sobre candidaturas majoritárias devem ser tomadas com base no diálogo democrático, e não por imposições vindas de lideranças nacionais ou estaduais.
“Santa Catarina tem tradição de independência política. Nosso voto é soberano e ninguém pode decidir por nós”, declarou um vereador do Vale do Itajaí, que preferiu não ser identificado.
A crítica é direcionada à tentativa de construção de uma candidatura ao Senado sem consulta ampla às bases partidárias e à sociedade civil. A movimentação estaria sendo conduzida por Bolsonaro com apoio do governador Jorginho Mello (PL), com o objetivo de fortalecer uma candidatura alinhada ao bolsonarismo para ocupar a vaga hoje pertencente ao senador Esperidião Amin (PP), cujo mandato se encerra em 2026.
Lideranças locais e representantes de diferentes espectros políticos reforçam que “a pré-candidatura deve nascer do diálogo com o povo e não de acordos de cúpula.”
Democracia em jogo?
Analistas políticos observam que o episódio expõe uma tensão recorrente no cenário político brasileiro: o conflito entre lideranças nacionais e os anseios regionais. Para o cientista político Eduardo Vilar, “a base bolsonarista em Santa Catarina é forte, mas não é unânime. Imposições tendem a gerar fraturas, especialmente em um estado com tradição conservadora e, ao mesmo tempo, crítica.”
Em meio à repercussão, algumas hashtags como #OPOVOEscolhe, #SCDecide e #SenadoÉDoPovo vêm sendo amplamente utilizadas nas redes sociais, expressando o desejo de protagonismo dos eleitores catarinenses na escolha dos seus representantes.
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