Timbó vive um momento preocupante: a sensação de que a cidade ficou órfã de governo. Não por falta de prefeito, mas por ausência de gestão. O que se vê hoje é um poder público ensimesmado, distante e desconectado da realidade, que parece ter esquecido para quem foi eleito.
A prefeitura, que deveria ser a casa do povo, transformou-se em um espaço fechado, inacessível e impermeável à crítica. O gestor municipal, segundo relatos recorrentes de moradores, lideranças comunitárias e representantes de entidades, não gosta de gente, não recebe para conversa e governa isolado, como se a cidade fosse extensão de sua vontade pessoal — e não um organismo vivo, plural e diverso.
Governar Timbó virou um exercício de conveniência. Decide-se o que é confortável, ignora-se o que incomoda. Problemas se acumulam em áreas essenciais, enquanto a gestão prefere o silêncio, a omissão e a blindagem política. Quando questionado, o governo reage com irritação ou indiferença. Crítica, ao que tudo indica, virou inimiga.
O mais grave não é apenas a postura do chefe do Executivo, mas o silêncio cúmplice de boa parte da estrutura administrativa e política. Secretarias que não respondem, setores que não dialogam e uma base governista que parece existir apenas para aplaudir, não para fiscalizar. Em vez de governo, uma bolha.
A cidade sente. O cidadão percebe. A confiança se esvai quando o poder se afasta do povo e passa a agir como se governar fosse um favor, e não uma obrigação constitucional. Democracia não combina com gabinete fechado, agenda seletiva e decisões tomadas a portas trancadas.
Timbó não precisa de um gestor que governe “do jeito que acha melhor”. Precisa de alguém que governe com e para as pessoas. Quando o governante se isola, a cidade perde voz. Quando o poder se fecha, a gestão fracassa.
O risco que Timbó enfrenta hoje não é a crítica dura — é a normalização do descaso. Porque uma cidade sem diálogo é uma cidade sem rumo. E um governo que não ouve, não governa: impõe.
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