Um pronunciamento contundente marcou a sessão da Câmara de Vereadores de Blumenau nesta quinta-feira, dia 5, após a prisão de um parlamentar da Casa no âmbito de uma investigação policial que apura suspeitas de rachadinha, corrupção e lavagem de dinheiro. O discurso, feito na tribuna durante sessão oficial, elevou o tom do debate e cobrou uma resposta institucional imediata do Legislativo.
Ao se manifestar, o vereador Egídio Beckhauser (Republicanos) classificou o episódio como um dos mais graves da história política do município, destacando que, em 143 anos, é a primeira vez que a Câmara se torna palco de uma ação policial dessa natureza. Para ele, o caso representa uma “vergonha institucional” e não pode ser tratado com silêncio ou constrangimento.
O parlamentar ressaltou que a prisão ocorreu com base em investigação formal conduzida pela autoridade policial, afastando qualquer interpretação de que se trate de boatos ou disputa política. Segundo ele, embora seja fundamental respeitar o princípio constitucional da presunção de inocência, isso não pode servir como justificativa para a inércia ética da Casa.
Durante o pronunciamento, Beckhauser cobrou a imediata instauração de um processo na Comissão de Ética e Decoro Parlamentar. Ele lembrou que a função da comissão é preservar a instituição, e não proteger indivíduos, defendendo que a apuração interna é necessária para manter a credibilidade da Câmara diante da população.
“O mandato popular não pode ser escudo para práticas suspeitas”, afirmou, acrescentando que a omissão compromete a autoridade moral do Legislativo para fiscalizar outros agentes públicos. Para o vereador, não se trata de perseguição, mas de responsabilidade política, respeito ao decoro parlamentar e compromisso com os cidadãos que confiam no trabalho dos representantes eleitos.
O discurso também destacou a importância de que qualquer investigação ética seja conduzida com transparência, garantindo contraditório e ampla defesa, mas sem acordos de bastidores ou tentativas de blindagem. Beckhauser afirmou que quem honra o mandato não deve temer a apuração dos fatos.
Ao encerrar, o parlamentar alertou que a população acompanha atentamente os desdobramentos do caso e que cada posicionamento, silêncio ou decisão ficará registrado na história política da cidade. Segundo ele, o episódio pode se tornar um divisor de águas para a reconstrução da credibilidade da Câmara ou, caso contrário, aprofundar a desconfiança da sociedade em relação à política local.
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