As redes sociais deixaram de ser apenas um espaço para compartilhamento de ideias e viraram, cada vez mais, um território de embate, desinformação e ataques sistemáticos à Constituição, à democracia e aos Três Poderes da República. O que antes era um fórum digital para a liberdade de expressão transformou-se em uma espécie de “Velho Oeste” virtual — onde vale tudo e quase ninguém é responsabilizado.
Diariamente, vemos cidadãos — e até figuras públicas — desferirem ofensas, espalharem mentiras e incitarem o desrespeito às instituições democráticas com a mesma facilidade com que curtem uma foto ou compartilham um meme. A crítica legítima se confunde com o discurso de ódio; a discordância política se transforma em ameaça. A liberdade de expressão, princípio fundamental da democracia, está sendo sequestrada e usada como escudo para disseminar intolerância, ataques à ordem constitucional e desacato aos Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário.
O mais alarmante? Tudo isso ocorre aos olhos vistos de plataformas bilionárias, que lucram com o engajamento gerado por esse tipo de conteúdo e seguem hesitantes — ou omissas — em regular o que circula em seus domínios.
A Constituição Federal é clara: todos são iguais perante a lei, e os poderes da República são independentes e harmônicos entre si. Mas no universo paralelo das redes, ministros do Supremo viram "inimigos da pátria", parlamentares são “traidores”, presidentes viram “ditadores” ou “fantoches”, e qualquer tentativa de restaurar a ordem é acusada de censura.
Não se trata de calar vozes. Trata-se de exigir responsabilidade. De lembrar que a liberdade de expressão não é liberdade de agressão. E que democracia não se sustenta onde impera a impunidade digital.
Enquanto não houver um enfrentamento sério — jurídico, político e cultural — dessa “terra sem lei”, o risco é assistirmos a democracia ser minada de dentro, a partir de uma tela de celular.
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