Nesta terça-feira (14), uma nova fase da Operação Contenção foi deflagrada pelas polícias Civil e Militar no Rio de Janeiro, resultando na prisão de 23 criminosos. A operação teve como alvo integrantes da facção Comando Vermelho, com forte atuação nas comunidades Cidade de Deus, Muzema e Vila Sapê, localizadas em Jacarepaguá, na zona sudoeste da capital fluminense.
As investigações conduzidas pela Delegacia de Roubos e Furtos de Automóveis da Capital subsidiaram esta operação. O objetivo central era desmantelar a estrutura da organização criminosa, frear sua expansão territorial e mitigar a influência do grupo nos índices de criminalidade, com foco especial na redução de roubos de veículos.
Além das 23 prisões efetuadas, a operação resultou na apreensão de um vasto arsenal e materiais ilícitos. Entre os itens confiscados estão material entorpecente, 200 cartuchos, 11 carregadores, 20 celulares, quatro radiotransmissores, quatro motocicletas, um veículo e um artefato explosivo.
Durante a incursão, os agentes descobriram uma central clandestina de "gatonet". Adicionalmente, equipes da Delegacia de Repressão aos Crimes Contra a Propriedade Imaterial (DRCPIM) atuaram para fechar uma loja de multimarcas que comercializava dezenas de produtos falsificados.
O Batalhão de Polícia do Choque (BPChq) da Polícia Militar teve um papel crucial, apreendendo seis fuzis na comunidade da Muzema, no Itanhangá, área notoriamente controlada pelo Comando Vermelho. Em um confronto em área de mata fechada, três indivíduos foram feridos e prontamente socorridos para um hospital público na Barra da Tijuca.
Inteligência e crimes patrimoniais
A Polícia Civil ressaltou que a operação é fruto de um minucioso trabalho de inteligência. Este esforço permitiu identificar a complexa estrutura de atuação da organização criminosa e sua vasta influência em crimes patrimoniais, como roubos e receptação de veículos.
Tais automóveis eram subsequentemente empregados em outras atividades ilícitas ou integrados à logística do grupo. Isso fortalecia financeiramente a facção e expandia sua capacidade operacional.
A investigação detalhada revelou uma clara divisão de funções entre os membros da quadrilha. Eles eram responsáveis por atividades como comércio de drogas, vigilância armada, comunicação via rádio, segurança de lideranças e monitoramento dos acessos às comunidades.
A Polícia Civil informou ainda que foram identificadas publicações em redes sociais. Nelas, os criminosos ostentavam armas de fogo, entorpecentes, rádios comunicadores e símbolos associados à facção.
Balanço geral da Operação Contenção
O balanço geral da Operação Contenção, atualizado nesta terça-feira pela Polícia Civil, aponta resultados significativos desde seu início. Mais de 370 suspeitos foram detidos e 137 morreram em confrontos. O total de apreensões inclui cerca de 480 armas, das quais 190 são fuzis, e mais de 51 mil munições.
No entanto, entidades de defesa dos direitos humanos classificam a Operação Contenção como a mais letal na história do Rio de Janeiro. A fase deflagrada em outubro de 2025, contra o Comando Vermelho nos complexos do Alemão e da Penha, registrou 121 mortes, conforme balanço oficial da época.
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