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Oktoberfest tem dono político? Egidio associa esquerda à depredação e transforma segurança em discurso partidário

Vídeo mistura proteção da festa, ataques a adversários e slogans eleitorais; discurso merece ser confrontado com respeito aos cidadãos e transparência sobre a segurança nas escolas.

Oktoberfest tem dono político? Egidio associa esquerda à depredação e transforma segurança em discurso partidário
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A Oktoberfest é uma celebração de Blumenau ou um espaço onde o cidadão precisa demonstrar afinidade política com o prefeito para se sentir bem-vindo? Essa é a pergunta que a gravação de Egidio Ferrari coloca em debate ao associar pessoas de esquerda à possibilidade de tumultos e depredação na festa.

No vídeo encaminhado ao Vale Europeu Notícias, Ferrari menciona uma manifestação que, segundo ele, estaria acontecendo no Centro de Blumenau, organizada pelo PT e pela esquerda. Afirma que recebeu contatos de pessoas preocupadas com a possibilidade de participantes aparecerem na Oktoberfest para provocar arruaça e quebradeira.

Na sequência, destaca câmeras com reconhecimento facial e faz uma generalização explícita: “esse povo da esquerda que vive quebrando as coisas, depredando o patrimônio”. Depois, afirma que essas pessoas não seriam “nem loucos de colocar os pés próximos da Vila Germânica”.

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O encerramento amplia o caráter partidário da mensagem: “Em Blumenau, vagabundo não se cria”, seguido de “Fora PT”, “Fora Lula” e “dia 25 é 22”.

A data e o contexto original da publicação não foram confirmados. Portanto, o material não deve ser apresentado como uma declaração feita durante a edição de 2026 da festa.

Segurança não pode virar instrumento de hostilidade política

Prevenir violência e proteger visitantes são responsabilidades de qualquer administração. O problema surge quando o discurso deixa de tratar de condutas concretas e passa a apresentar um grupo político inteiro como ameaça.

Ser de esquerda não constitui evidência de vandalismo. Participar de uma manifestação também não torna alguém suspeito de depredação. Eventuais delitos precisam ser atribuídos a seus responsáveis, com provas, e não usados para desqualificar coletivamente cidadãos que pensam diferente.

Na avaliação deste editorial, a fala alimenta hostilidade política ao aproximar identidade ideológica, criminalidade e uma advertência sobre a presença nas proximidades da festa. Essa crítica ao conteúdo não equivale a uma conclusão jurídica sobre crime de incitação ao ódio.

Também é necessário distinguir o que o vídeo mostra do que ele não mostra: não há, no trecho, uma ordem formal proibindo a entrada de pessoas de esquerda, nem uma declaração de que seu dinheiro não tem valor. Há, porém, uma mensagem que pode fazê-las se sentir indesejadas.

Esses cidadãos também trabalham, pagam impostos, compram ingressos, consomem no comércio e ajudam a movimentar a economia. Sua contribuição à cidade não diminui porque votam em outro candidato.

E a proteção das crianças merece qual destaque?

O orgulho demonstrado ao falar da segurança da Oktoberfest permite uma cobrança igualmente firme sobre escolas e Centros de Educação Infantil: qual é a cobertura efetiva de vigilância em cada unidade? Existem postos descobertos? Como são atendidas ausências e emergências? Quais resultados a administração consegue demonstrar?

A Prefeitura anunciou, em junho de 2026, a convocação de agentes para formar uma equipe própria de vigilância escolar, com capacitação e remanejamento temporário de servidores durante a transição. Esse registro impede afirmar que a gestão não adotou qualquer medida. Entretanto, anúncio de contratação não esclarece, sozinho, a situação atual de todas as unidades.

A cobrança é por execução, cobertura e transparência. Crianças, professores e demais trabalhadores da educação merecem uma política permanente de proteção, acompanhada de informações que as famílias possam conferir.

A festa pertence à cidade

A Oktoberfest reúne moradores e visitantes com diferentes opiniões. Transformar sua segurança em recado contra adversários políticos enfraquece o espírito de convivência que uma celebração pública deveria promover.

Quem comete violência deve responder por seus atos. Quem pensa diferente deve ser respeitado.

Blumenau merece uma liderança que explique como protege a população inteira — na festa, nas escolas e nos CEIs. A cidadania não tem cor partidária, e a segurança não pode depender do voto de ninguém.

FONTE/CRÉDITOS: REDAÇÃO

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