Cansados da espera e da falta de respostas, moradores da comunidade da Tifa Colley, em Timbó, afirmam ter realizado por conta própria melhorias na estrada que dá acesso ao Morro Azul, após, segundo eles, sucessivas solicitações sem retorno efetivo por parte da Prefeitura. A situação ganhou repercussão após a divulgação de um vídeo nas redes sociais, gravado por um dos moradores, que optou por permanecer em anonimato.
Nas imagens, é possível ver intervenções feitas de forma comunitária para amenizar as más condições da via, utilizada diariamente por moradores, trabalhadores rurais e famílias da região. Buracos, erosões e trechos de difícil acesso teriam motivado a ação improvisada, vista por muitos como um ato de necessidade, mas também como um sinal claro de abandono do poder público.
De acordo com relatos, a comunidade vinha solicitando manutenção há meses. Sem prazos, sem cronograma e sem presença de máquinas, os moradores decidiram agir por conta própria. “Não foi por vontade, foi por obrigação”, resume um dos comentários que circulam junto ao vídeo. O anonimato do autor, segundo moradores, reflete medo de retaliações ou de exposição indevida.
O episódio levanta um debate incômodo: até que ponto a população precisa assumir funções que são dever constitucional do município? A manutenção de estradas vicinais é responsabilidade direta da administração pública, especialmente em áreas rurais, onde o acesso impacta o transporte escolar, o escoamento da produção e o atendimento de emergência.
A situação da Tifa Colley também expõe uma contradição recorrente na política local: discursos de eficiência, planejamento e proximidade com a comunidade que, na prática, não se refletem em ações concretas. Quando o cidadão precisa colocar a mão na massa para garantir o mínimo de acesso, algo claramente falhou na gestão.
Enquanto isso, moradores seguem convivendo com a insegurança e a sensação de que só são lembrados quando o problema viraliza.
O caso reacende uma velha pergunta que ecoa nas comunidades do interior: o cidadão paga impostos para ter serviços ou para substituir o poder público quando ele não aparece? A resposta, ao menos na Tifa Colley, parece ter vindo na base da enxada, da pá e da revolta silenciosa.
VEJA O VÍDEO :
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