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A deflação do IPCA de -0,32% registrada em agosto representa o menor índice para o período em quatro anos no Brasil. O resultado, divulgado nesta sexta-feira (11) pelo IBGE, foi impulsionado pelo desconto do Bônus de Itaipu nas tarifas de energia elétrica e pela retração nos preços de alimentos e transportes.
O indicador apresentou uma queda significativa em relação ao mês anterior, quando o IPCA havia fechado em 0,07%. Em agosto de 2025, a taxa registrada foi de -0,11%. Com a deflação recente, o acumulado em 12 meses recuou para 4,22%, aproximando-se do patamar de março de 2026, que foi de 4,14%.
O recuo de agosto superou as expectativas do mercado financeiro. De acordo com o Boletim Focus divulgado pelo Banco Central na terça-feira (8), a projeção média dos analistas apontava para uma deflação menor, de -0,23%. Para o encerramento de 2026, a estimativa do mercado para o índice é de 5%.
Atualmente, o Conselho Monetário Nacional (CMN) estabelece uma meta de inflação de 3%, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual. Assim, o intervalo considerado saudável varia de 1,5% a 4,5%. Desde 2025, o cumprimento da meta é avaliado de forma contínua nos últimos 12 meses acumulados.
Setores que puxaram o índice para baixo
Dos nove grupos de produtos e serviços analisados pelo IBGE, quatro registraram deflação no mês de agosto. Os destaques negativos ficaram com as seguintes áreas:
- Habitação: -1,87% (impacto de -0,29 p.p.)
- Transportes: -0,86% (impacto de -0,17 p.p.)
- Alimentação e bebidas: -0,34% (impacto de -0,07 p.p.)
- Comunicação: -0,09% (impacto de 0,00 p.p.)
Por outro lado, o grupo de despesas pessoais registrou a maior alta do período, com avanço de 1,30%.
O peso do Bônus de Itaipu na conta de luz
A maior influência individual para a queda da inflação veio do grupo habitação, que teve sua deflação mais expressiva desde a criação do Plano Real, em 1994. Esse movimento foi provocado pelo Bônus de Itaipu, um crédito decorrente do saldo positivo da usina hidrelétrica repassado aos consumidores.
Com o benefício, as contas de energia elétrica residencial apresentaram uma redução média de 7,63% em agosto, consolidando-se como o principal fator de alívio no orçamento das famílias brasileiras no mês.
Alimentos registram terceira queda consecutiva
O grupo de alimentação e bebidas manteve a trajetória de queda iniciada nos meses anteriores, recuando 0,34%. Em junho e julho, as baixas foram de 0,24% e 0,67%, respectivamente. O segmento é crucial para o bolso do consumidor, representando 21,5% de toda a cesta do IPCA.
Os itens que mais contribuíram para o alívio nos preços dos alimentos foram:
- Batata-inglesa: -19,89%
- Cenoura: -11,22%
- Cebola: -11,07%
- Tomate: -10,94%
- Ovo de galinha: -4,15%
- Café moído: -1,86%
Como é calculado o IPCA
O IPCA mede a variação do custo de vida de famílias que recebem de um a 40 salários mínimos. A pesquisa do IBGE acompanha mensalmente os preços de 377 subitens em dez regiões metropolitanas do país, além de Brasília e outras seis capitais estaduais.
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