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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou em São Paulo a medida provisória que institui o programa Desenrola Brasil 3.0, voltado à renegociação de débitos de pessoas físicas. A grande inovação desta etapa é a autorização para que a União adquira carteiras inadimplidas em leilão, repassando o desconto integral ao devedor.
Pelas regras estabelecidas, o governo poderá comprar débitos bancários e não bancários de até R$ 10 mil. O requisito envolve atrasos superiores a 720 dias e inferiores a 1.645 dias, o que corresponde a um período de dois a quatro anos e meio.
A projeção oficial aponta que até R$ 150 bilhões em compromissos financeiros podem ser elegíveis. Considerando uma adesão parcial, a estimativa é que R$ 75 bilhões passem por repactuação, beneficiando até 15 milhões de pessoas.
O abatimento mínimo garantido será de 90%. Caso a União adquira uma carteira com esse deságio, a mesma redução chegará ao consumidor. O saldo remanescente poderá ser quitado de uma só vez ou parcelado.
O ministro do Planejamento e Orçamento, Bruno Moretti, informou que serão alocados R$ 15 bilhões para viabilizar as operações.
Como funcionará
Os credores participarão de leilões divididos por lotes, separando obrigações bancárias e não bancárias. As propostas serão classificadas conforme o maior desconto oferecido.
O participante precisará entregar a totalidade dos créditos elegíveis de cada cliente. A execução poderá contar com o apoio de instituições como Caixa Econômica Federal e Banco do Brasil.
Endividamento
Dados do Tesouro Nacional indicam que o estoque de débitos em atraso nos birôs de crédito somava R$ 592 bilhões em agosto. Eram 83,9 milhões de negativados, com média de quatro pendências por indivíduo.
Cerca de 55% desse volume correspondem a contas não bancárias, como serviços de água, luz, telefonia e carnês do comércio varejista.
Histórico
A nova etapa sucede duas fases anteriores que, segundo o Planalto, já alcançaram 25 milhões de brasileiros por meio de acordos e repactuações financeiras.
Cronograma
- Setembro/2026: publicação da medida provisória.
- Novembro/2026: lançamento do edital de chamamento.
- Dezembro/2026: envio de propostas pelos credores.
- Janeiro/2027: homologação dos selecionados.
- Fevereiro/2027: assinatura de contratos e início dos repasses.
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