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O Acidente Vascular Cerebral (AVC) continua sendo um importante desafio de saúde pública no Brasil e no mundo. Nos primeiros sete meses de 2026, a doença já matou 50.424 pessoas no Brasil, segundo dados do DATASUS divulgados pela Rede Brasil AVC. No cenário global, mais de 7 milhões de pessoas morrem por ano em decorrência da doença, segundo a Organização Mundial do AVC
O AVC ocorre quando o fluxo sanguíneo para uma região do cérebro é interrompido ou quando um vaso sanguíneo se rompe, comprometendo o fornecimento de oxigênio às células cerebrais. Existem dois tipos principais: o isquêmico, responsável por cerca de 85% dos casos, ocorre quando uma artéria é obstruída, geralmente por um coágulo; e o hemorrágico, cerca de 15% dos casos, que acontece quando um vaso se rompe e provoca sangramento cerebral.
Celebrado em 29 de outubro, o Dia Mundial do AVC chama a atenção para a prevenção e o reconhecimento dos sintomas, medidas fundamentais para reduzir mortes e sequelas.
Fatores de risco e aumento de casos entre os mais jovens
A hipertensão arterial é um dos principais, pois, quando não controlada, danifica as paredes dos vasos sanguíneos e aumenta o risco tanto de obstruções quanto de rompimentos. O diabetes e o colesterol elevado também merecem atenção: o excesso de glicose prejudica os vasos ao longo do tempo, enquanto o colesterol pode favorecer a formação de placas de gordura nas artérias, dificultando a circulação e aumentando o risco de obstrução.
Outros fatores importantes são o tabagismo, o sedentarismo e a obesidade. As substâncias presentes no cigarro prejudicam o funcionamento dos vasos sanguíneos e favorecem a formação de coágulos. Já a falta de atividade física e o excesso de peso estão associados ao aumento da pressão arterial, à resistência à insulina e a alterações metabólicas que elevam o risco cardiovascular.
Embora continue sendo mais frequente na terceira idade, o aumento da doença entre adultos com menos de 50 anos é uma realidade preocupante no Brasil.
Segundo Adriana Moro, médica neurologista e docente do Instituto de Educação Médica (IDOMED), o controle dos fatores de risco é fundamental para a redução de casos tanto entre a população mais velha, mas também, principalmente, entre os mais jovens.
“Dados do Ministério da Saúde indicam um crescimento significativo de casos em pessoas abaixo de 45 e 50 anos nos últimos anos, provavelmente por questões do estilo de vida: hipertensão e diabetes em adultos jovens, somados a hábitos como alimentação ultraprocessada, estresse crônico, privação de sono e sedentarismo. O lado positivo da prevenção ao AVC é que até 90% dos casos podem ser evitados, pois dependem de fatores modificáveis”, afirma a neurologista
O AVC é mais comum em mulheres?
A doença pode apresentar diferenças entre homens e mulheres, dependendo da faixa etária e de fatores específicos de saúde. Entre mulheres jovens, alguns fatores podem aumentar o risco de AVC isquêmico, como o uso de anticoncepcionais hormonais combinados, especialmente quando associado ao tabagismo ou à enxaqueca com aura. A gestação e o período pós-parto também exigem atenção, pois estão associados a um maior risco de complicações vasculares.
“Como as mulheres possuem uma expectativa de vida maior que a dos homens, em números absolutos a quantidade de AVCs em mulheres acaba sendo superior. Além disso, após a menopausa, a perda da proteção hormonal feminina (estrogênio) faz com que o risco entre homens e mulheres se equipare”, explica a especialista.
Como reconhecer os sinais de alerta?
Os sintomas geralmente surgem de forma súbita e uma maneira simples de identificar os principais sintomas é lembrar da regra SAMU:
- Sorriso: no sorriso, observe se um lado do rosto parece caído ou se a boca fica torta;
- Abraço: no abraço, peça à pessoa que levante os dois braços e verifique se há dificuldade para movimentar um deles;
- Música: na música, ou na fala, observe se a pessoa apresenta fala enrolada, dificuldade para repetir uma frase ou para compreender o que está sendo dito;
- Urgência: ao identificar qualquer uma dessas alterações, a orientação é agir com urgência.
Reconhecer esses sinais rapidamente é fundamental para garantir atendimento médico imediato e aumentar as chances de recuperação.
A orientação é acionar o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU), pelo número 192, e registrar o horário em que os sintomas começaram. Não se deve oferecer alimentos, líquidos ou medicamentos por conta própria, pois há risco de engasgo e de agravamento do quadro.
“Tempo é cérebro. Quanto mais rápido o paciente recebe atendimento, maiores são as possibilidades de limitar os danos causados pelo AVC e reduzir o risco de sequelas”, alerta Adriana.
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