Em vez de priorizarem projetos estruturantes, com impacto real na vida das pessoas, muitos legisladores parecem mais empenhados em conquistar curtidas, engajamentos e manchetes fáceis do que em exercer com seriedade o papel constitucional que lhes cabe.
Multiplicam-se os vídeos performáticos, as sessões solenes desprovidas de relevância e os projetos de lei midiáticos que, na prática, não mudam nada – a não ser o número de seguidores do parlamentar. Criam-se “dias de”, propostas inócuas, moções de aplauso em série, tudo cuidadosamente roteirizado para render bons recortes nas redes sociais. Trata-se de uma política voltada ao algoritmo, não à cidadania.

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Essa lógica superficial não apenas empobrece o debate público, mas mascara a verdadeira função do legislativo: fiscalizar o executivo, propor leis relevantes, defender o interesse coletivo e zelar pela justiça social. Ao alimentar a política do espetáculo, muitos parlamentares desviam a atenção da população dos problemas centrais – como a precarização dos serviços públicos, a má gestão dos recursos, a ausência de planejamento urbano e a desigualdade gritante que ainda marca a realidade brasileira.
 
O resultado é um Legislativo fragilizado, incapaz de cumprir plenamente sua função republicana, pois está ocupado demais cuidando de sua própria imagem. A política, nesse cenário, deixa de ser instrumento de transformação social para virar ferramenta de autopromoção.
A sociedade precisa romper com esse ciclo de ilusão digital. Curtidas não resolvem problemas. Legislar exige seriedade, responsabilidade e compromisso com o bem comum. É preciso exigir dos nossos representantes mais conteúdo e menos performance, mais coerência e menos pirotecnia. Chega de pautas que brilham na tela, mas apagam a esperança de uma política verdadeiramente transformadora.
 
ALFROH POSTAI Mestre em Ciências da Educação e graduado em Matemática e Pedagogia. Possui pós-graduações em Educação Escolar e Educação na Cultura Digital. Ex-Secretário de Educação de Timbó e professor nas áreas de Economia, Gestão e Tecnologias Educacionais.

 

FONTE/CRÉDITOS: ALFROH POSTAI