Até quando os clubes do Sul vão ser tratados como figurantes no Campeonato Brasileiro? A cada ano que passa, fica mais evidente que Grêmio e Internacional estão competindo em um sistema que não os respeita — e, pior ainda, que parece fazer questão de impedi-los de alcançar o topo.
É um fato: as equipes do Sul do Brasil, mesmo investindo milhões em elencos competitivos, esbarram não apenas em adversários de campo, mas também em decisões de arbitragem duvidosas — para não dizer absurdas. São erros grotescos que mudam o rumo de partidas importantes, principalmente quando a disputa pelo título se acirra. E esses erros, curiosamente, sempre favorecem as equipes do chamado "Eixo" (Rio-São Paulo).

Falo com propriedade. Como ex-árbitro, vi de perto como a regra deve ser aplicada. Em muitos lances recentes, nem mesmo na várzea um erro tão escancarado passaria despercebido. No entanto, em pleno Campeonato Brasileiro, passam — e são ignorados pelas instâncias superiores, como se fossem parte do jogo.
A questão que precisa ser feita é: por que continuar em um campeonato nacional onde a dupla Gre-Nal só é valorizada como coadjuvante? Por que continuar investindo tanto, mobilizando torcida, formando atletas, se no fim a disputa não se resolve apenas dentro das quatro linhas?
É duro dizer, mas o Brasileirão não consagra quem tem o melhor time, e sim quem vence mais jogos — independentemente de como essas vitórias são conquistadas. Quando a arbitragem vira protagonista, quando a organização do campeonato parece ter interesses próprios, o futebol perde sua essência.

Talvez seja hora de refletir sobre algo ousado: a possibilidade de Grêmio e Inter jogarem em outras ligas, como o Campeonato Argentino ou Uruguaio. Soa radical? Sim. Mas talvez seja o único caminho para disputar um torneio em que o mérito esportivo ainda fale mais alto do que bastidores e bastidores.
O futebol sulista é forte, apaixonado e merece respeito. E se esse respeito não existe no seu próprio país, talvez seja hora de buscar isso fora dele.
@opiniaodoapito
Jefferson Rodrigues.
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