Volta e meia a mídia anuncia um novo projeto de estádio para algum clube catarinense. O mais recente que vi foi o (diga-se, fantástico) do Marcílio Dias, em Itajaí. Antes dele, em 2019, surgiu o ambicioso projeto para o Brusque. Confesso que adoro essas imagens computadorizadas: estádio de primeiro mundo, gramado impecável, arquibancadas lotadas, pôr do sol cinematográfico e, se deixarem, até gaivotas voando em formação.
A realidade, porém, costuma ser menos fotogênica. A maioria dos clubes do Estado enfrenta dificuldades até para definir onde jogará na próxima temporada. Metropolitano e Blumenau Esporte Clube, por exemplo, tem que negociar, todos os anos, para poderem jogar no estádio do Complexo Esportivo do SESI (futura “Vila Esportiva”), sendo obrigados, quando não chegam a algum acordo, a mandar suas partidas em outras cidades.
E mesmo quando a obra sai do papel, surge a pergunta que costuma chegar atrasada à festa: quem paga a conta depois? Estádios são, por natureza, estruturas subutilizadas. Recebem dois ou três jogos por mês e, no restante do tempo, ficam ali, consumindo dinheiro. Sempre aparece alguém dizendo que a arena se sustentará com shows, congressos, eventos religiosos, feiras, festivais gastronômicos e, se bobear, até campeonato de pipa. Na prática, essa agenda milagrosa raramente acontece. A Prefeitura de Blumenau, que hoje arca com uma pesada conta mensal para manter a Vila Esportiva, certamente sabe que cortar a fita de inauguração é bem mais barato do que pagar a conta de luz nos anos seguintes.
Por isso, deixo uma ideia. Em vez de cada clube sonhar com um estádio próprio, por que não construir uma arena regional? Um estádio para 10 ou 15 mil pessoas, na cidade de Ilhota, no meio do caminho para todo mundo, poderia receber jogos do Metropolitano, BEC, Brusque, Marcílio Dias, Camboriú, Carlos Renaux, Barroso e/ou outras equipes da região (o Barra está muito bem servido, obrigado!). A construção e a manutenção seriam divididas, os torcedores dos clubes estariam a poucos quilômetros de casa e, com gramado sintético, a arena viveria ocupada praticamente todos os finais de semana, no mínimo.
A ideia, aliás, não tem nada de revolucionária. Flamengo e Fluminense dividem o Maracanã. Milan e Internazionale compartilham o Giuseppe Meazza — ou San Siro, dependendo do mandante. Se essa lógica funciona em centros futebolísticos muito maiores que o nosso, talvez valha a pena abandonar um pouco o orgulho municipal e pensar regionalmente. Ainda mais se, um dia, a tão sonhada Via Mar realmente passar ali por perto. facilitando ainda mais o acesso.
Quem sabe, em vez de vários projetos encantadores e financeiramente duvidosos, tenhamos uma única arena viável, moderna e permanentemente viva. Já pensou?
Comentários
Para comentar realize o login em sua conta!
Login Cadastre-se