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TERÇA - FEIRA 26/05/2026
Notícias/Santa Catarina

Santa Catarina precisa de projetos, não de políticos que vivem da guerra ideológica

Júlia Zanatta, Zé Trovão, Caroline de Toni e Carlos Bolsonaro apostam no discurso conservador, mas o eleitor catarinense precisa exigir propostas concretas para saúde, infraestrutura, segurança e desenvolvimento regional

Santa Catarina precisa de projetos, não de políticos que vivem da guerra ideológica
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Santa Catarina consolidou-se nos últimos anos como um dos principais redutos eleitorais da direita brasileira. O problema não está no catarinense escolher candidatos conservadores. Essa é uma decisão democrática e precisa ser respeitada. A questão é saber se parte desses políticos está transformando os votos recebidos em soluções concretas para os problemas enfrentados pela população.

Deputados como Júlia Zanatta, Zé Trovão e Caroline de Toni ganharam projeção nacional por meio de discursos ideológicos, embates nas redes sociais e defesa permanente do bolsonarismo. Carlos Bolsonaro, ex-vereador do Rio de Janeiro, tenta construir em Santa Catarina uma candidatura ao Senado.

Mas qual é o projeto desse grupo para o futuro do estado?

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O que eles propõem para reduzir as filas da saúde, melhorar as rodovias federais, prevenir novas tragédias climáticas, fortalecer a agricultura, apoiar os pequenos empresários e ampliar os investimentos nos municípios catarinenses?

É incorreto afirmar que nenhum projeto foi apresentado

Uma análise responsável precisa começar por uma correção importante: não é verdade que esses parlamentares tenham apresentado “projeto nenhum”. Há proposições registradas oficialmente na Câmara dos Deputados.

Júlia Zanatta apresentou, entre outras iniciativas, um projeto relacionado à regularização de imóveis ocupados antes da criação de áreas de proteção ambiental. Também propôs mudanças na Lei Maria da Penha, regras sobre autocustódia de ativos virtuais e o reconhecimento da Oktoberfest de Blumenau como patrimônio cultural imaterial brasileiro. A página da deputada registra ainda emendas destinadas ao custeio da saúde em Santa Catarina. Câmara dos Deputados

Zé Trovão é autor do projeto que cria o Programa Nacional de Fortalecimento do Transportador Autônomo. Também apresentou propostas referentes à exploração de recursos em terras indígenas e à legislação da Mata Atlântica. Programa para transportadores autônomos

Caroline de Toni possui dezenas de proposições registradas pela Câmara. Entre suas bandeiras estão mudanças na legislação sobre armas, segurança pública, direitos individuais e pautas conservadoras. Em 2026, sua página oficial contabilizava 98 propostas legislativas de autoria e 13 matérias relatadas no ano. Perfil parlamentar de Caroline de Toni

Portanto, a discussão correta não é simplesmente perguntar se apresentaram projetos. A pergunta realmente necessária é: quantas dessas propostas avançaram, quais se transformaram em políticas públicas e quais produziram benefícios concretos para Santa Catarina?

Apresentar projetos não significa necessariamente resolver problemas. Também é preciso analisar a relevância, a viabilidade, a tramitação e os resultados de cada iniciativa.

Entre a produção legislativa e a guerra cultural

Uma parcela considerável da atuação pública desses parlamentares está relacionada às chamadas guerras culturais: armas, aborto, identidade de gênero, críticas ao Supremo Tribunal Federal, enfrentamento ao governo federal e defesa da família Bolsonaro.

São debates legítimos dentro de uma democracia. Entretanto, quando praticamente toda a identidade política de um mandato passa a depender do confronto ideológico, assuntos diretamente ligados ao cotidiano dos catarinenses correm o risco de ficar em segundo plano.

Santa Catarina convive com rodovias federais perigosas, gargalos logísticos, enchentes recorrentes, filas para consultas e cirurgias, falta de moradias, necessidade de investimentos em saneamento e dificuldades enfrentadas por pequenos agricultores e empreendedores.

O eleitor tem o direito de perguntar qual projeto estruturante esses representantes lideraram para enfrentar cada um desses problemas.

Não basta gravar vídeos indignados, atacar adversários ou repetir frases de efeito. Um parlamentar precisa negociar recursos, fiscalizar o governo, participar das comissões, construir maiorias e transformar propostas em leis ou investimentos.

Carlos Bolsonaro precisa explicar por que deseja representar Santa Catarina

A possível candidatura de Carlos Bolsonaro ao Senado merece uma cobrança ainda mais rigorosa. Ele construiu sua carreira política como vereador do Rio de Janeiro e agora busca representar Santa Catarina no Congresso Nacional.

Carlos precisa apresentar mais do que sua ligação familiar com Jair Bolsonaro. Precisa explicar qual é seu conhecimento sobre a realidade catarinense e o que pretende fazer pelas diferentes regiões do estado.

Qual é sua proposta para a BR-470, a BR-101 e a BR-282? Como pretende enfrentar as enchentes no Vale do Itajaí? O que defende para os portos, o agronegócio, a indústria, o turismo e a saúde pública catarinense?

Em junho de 2026, o ex-vereador declarou que “renasceu” em Santa Catarina ao tentar justificar sua pré-candidatura. A declaração, porém, não substitui um programa detalhado para o estado. Informações sobre a pré-candidatura

Ser integrante da família Bolsonaro pode garantir visibilidade, mas não deveria funcionar como passaporte automático para representar milhões de catarinenses.

Conservadorismo não pode significar obediência cega

O catarinense pode ser conservador sem renunciar ao pensamento crítico. Pode defender valores de direita e, ao mesmo tempo, exigir competência, transparência e resultados.

Questionar Júlia Zanatta, Zé Trovão, Caroline de Toni ou Carlos Bolsonaro não significa atacar seus eleitores. Significa reconhecer que nenhum político deve receber um cheque em branco somente porque veste a camisa de determinado grupo ideológico.

A mesma cobrança deve ser feita a parlamentares de esquerda, centro ou direita. Todos utilizam dinheiro público e têm a obrigação de prestar contas de suas atividades.

O voto não pode ser determinado apenas por vídeos virais, discursos religiosos, ataques ao adversário ou fotografias ao lado de lideranças nacionais. O eleitor precisa examinar projetos, votos, presença nas comissões, emendas destinadas aos municípios e resultados efetivamente entregues.

Santa Catarina merece mais do que personagens de redes sociais

Classificar todo político conservador como extremista seria uma generalização. Contudo, quando o discurso transforma adversários em inimigos, desacredita permanentemente as instituições e substitui propostas pela radicalização, a democracia entra em uma zona perigosa.

Santa Catarina não pode ser reduzida a um palanque permanente da família Bolsonaro nem servir apenas como território eleitoral para políticos interessados em aproveitar a força conservadora do estado.

Antes de votar, cada catarinense deveria fazer perguntas simples: o que esse candidato já realizou? Quais propostas defende para minha cidade e região? Seus projetos têm condições de sair do papel? Ele trabalha por Santa Catarina ou apenas utiliza o estado como cenário para uma disputa nacional?

O povo catarinense não está condenado à cegueira política. Mas precisa separar convicção ideológica de idolatria. Políticos passam; as consequências das escolhas eleitorais permanecem.

FONTE/CRÉDITOS: REDAÇÃO

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