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DOMINGO,30 DE AGOSTO DE 2026
Santa Catarina

População de nortistas em SC aumenta quase 50 vezes em 30 anos, aponta IBGE

Entre todas as regiões do país, os migrantes que vieram do Norte foi a população que mais cresceu proporcionalmente no Estado

População de nortistas em SC aumenta quase 50 vezes em 30 anos, aponta IBGE
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Em trinta anos, a população de nortistas residentes em Santa Catarina aumentou 49 vezes, saltando de 2.550 pessoas em 1991 para 125.384 em 2022, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Entre todas as regiões do país, foi a que mais cresceu proporcionalmente no estado catarinense (+4.817%), seguida do Nordeste (+1.589%) e Centro-Oeste (+922%).

Conforme o histórico do IBGE, o maior salto ocorreu na última década, quando o número de nortistas aumentou 10 vezes, passando de 12.988 em 2010 para mais de 125 mil em 2022. Santa Catarina é o quarto Estado com o maior número de nortistas fora da região de origem, depois de Goiás (288.724); São Paulo (157.925) e Mato Grosso (142.398).

Entre os estados da região Norte, o Pará foi o principal emissor de migrantes para Santa Catarina em 2022, com 82.192 residentes no Estado. Em seguida, aparecem o Amazonas (14.361 migrantes), Rondônia (9.135), Amapá (8.041), Acre (6.710), Tocantins (2.731) e Roraima (2.175).

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O crescimento é impulsionado pela busca dessa população por melhores oportunidades de trabalho e uma qualidade de vida melhor. De acordo com o pesquisador Tafarel Cassaniga, integrante do Observatório das Migrações de Santa Catarina, Santa Catarina se destaca pela economia diversificada e em crescimento, gerando demanda por mão de obra em setores como indústria, serviços e construção civil. A segurança pública também é um atrativo.

— Adicionalmente, as redes sociais migratórias desempenham um papel crucial. A existência de amigos ou familiares já estabelecidos em Santa Catarina, que compartilham informações sobre oportunidades e a realidade local, serve como um facilitador e um catalisador para novos fluxos migratórios — pontua o especialista.

Desafios do outro lado do país

O pesquisador Tafarel Cassaniga reforça que, embora o Estado ofereça oportunidades, os migrantes enfrentam obstáculos importantes. Um dos desafios mais presentes é o preconceito e a discriminação:

— Infelizmente, ainda há muitos casos de estigmatização direcionada a migrantes internos, especialmente nortistas e nordestinos. Essa realidade não apenas gera sofrimento individual, mas também impede a plena integração social e o aproveitamento de todo o potencial desses novos residentes.

Além disso, segundo ele, muitos migrantes acabam inseridos em setores de menor remuneração.

— Embora a contribuição econômica desses migrantes seja inegável, a inserção nem sempre ocorre de forma equitativa. Muitos desses indivíduos acabam sendo alocados em setores de menor remuneração, o que destaca a necessidade de políticas que garantam uma inserção econômica mais justa e inclusiva — pontua o pesquisador.

Fluxo migratório em SC

Santa Catarina foi o a unidade da federação que mais recebeu migrantes entre 2017 e 2022, conforme o último Censo. A maioria (134,8 mil) tem origem do Rio Grande do Sul, representando 26,8% do total de 503,8 mil pessoas que residiam em outra unidade da federação e que vieram para o Estado. Depois estão o Paraná (96,1 mil), com 19,1% do total, São Paulo (62,4 mil), com 12,4%, Pará (44,9 mil), com 8,9%, e Bahia (20,3 mil), com 4,0%.

Lauro Mattei, professor do Departamento de Economia e Relações Internacionais da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e Coordenador Geral do Núcleo de Estudos de Economia Catarinense, vê três elementos centrais como razões para essa dinâmica de alto fluxo migratório.

— O principal fator é o mercado de trabalho. E, aliado a isso, Santa Catarina apresenta três características que o tornam extremamente atrativo. Primeiro, o baixo índice de desemprego. Segundo, a alta formalização das relações de trabalho. E terceiro, um nível de renda média, tanto pessoal quanto familiar, superior à média nacional — explica o professor.

Migração por região em SC (1991 – 2022)

Norte

  • 1991: 2.550 pessoas
  • 2022: 125.384 pessoas
  • Crescimento absoluto: +122.834
  • Crescimento relativo: +4.817%

Nordeste

  • 1991: 12.804 pessoas
  • 2022: 216.309 pessoas
  • Crescimento absoluto: +203.505
  • Crescimento relativo: +1.589%
  • Sudeste

    • 1991: 55.378 pessoas
    • 2022: 282.842 pessoas
    • Crescimento absoluto: +227.464
    • Crescimento relativo: +411%

    Centro-Oeste

    • 1991: 5.226 pessoas
    • 2022: 53.405 pessoas
    • Crescimento absoluto: +48.179
    • Crescimento relativo: +922%

    Sul (outros estados fora SC)

    • 1991: 464.947 pessoas
    • 2022: 1.089.743 pessoas
    • Crescimento absoluto: +624.796
    • Crescimento relativo: +134%
 
FONTE/CRÉDITOS: NSC TOTAL

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