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Um levantamento do Instituto Update sobre 12 candidaturas à Presidência da República revelou que as políticas para mulheres estão presentes em diversas correntes ideológicas, concentrando-se prioritariamente em segurança, saúde e tarefas de cuidado, mas ainda falham em promover a ocupação de espaços de decisão.
Conforme destacou Carol Althaller, diretora executiva da instituição, os programas reconhecem as demandas urgentes do eleitorado feminino. Contudo, as propostas pecam ao não incluir a população feminina como agente ativa das escolhas públicas e ao ignorar as dinâmicas da rotina urbana.
A metodologia da pesquisa contabilizou exclusivamente as iniciativas direcionadas de forma explícita ao público feminino. Políticas de caráter geral sobre segurança, transporte ou emprego foram desconsideradas para fins do levantamento do Instituto Update.
O estudo também enfatiza a distância entre a citação genérica de um tema e um plano de ação verdadeiramente estruturado, visto que muitas plataformas carecem de metas claras, orçamentos definidos e estratégias de execução.
Representatividade política em segundo plano
Apesar de 72% das entrevistadas pela pesquisa Mulheres em Diálogo (2025) defenderem o aumento da representação feminina na política, os presidenciáveis deram pouca relevância ao assunto. Apenas um candidato apresentou medidas contra a violência política de gênero e apoio ao financiamento de campanhas femininas.
Um segundo postulante mencionou o incentivo à liderança feminina e o compromisso formal de indicar nomes de mulheres para o Supremo Tribunal Federal. O abismo entre os anseios do eleitorado e os programas evidencia a falta de espaço para a autonomia de decisão.
Enfrentamento à violência e o medo na rotina
A violência contra a mulher desponta como a pauta mais frequente, constando em 75% das propostas analisadas (nove das 12 plataformas). As ações englobam expansão de redes de proteção, monitoramento de agressores e endurecimento de penas, embora poucas abordem a mobilidade nas cidades.
Dados do estudo Mulheres, Polícia e Facções (2026), realizado em colaboração com o Instituto Fogo Cruzado, revelam que 79% das mulheres sentem medo ao sair à noite. Ademais, 31,4% deixaram de usar transportes públicos por insegurança, aspecto ignorado por quase todos os candidatos.
Autonomia econômica e divisão do cuidado
A emancipação financeira integra 58% dos planos de governo, abordando trabalho, crédito e empreendedorismo. Em cinco casos, há a menção explícita à igualdade de salários entre gêneros, uma exigência apoiada por 94% das mulheres ouvidas nas pesquisas do instituto.
Por fim, as políticas de cuidado e oferta de creches aparecem em 58% das diretrizes. O debate varia entre encarar o cuidado como infraestrutura estatal que reduz a sobrecarga feminina ou como dever eminentemente familiar, refletindo visões distintas sobre o papel do Estado.
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