Jorginho Mello, João Rodrigues e Gelson Merisio lideram as principais alianças na corrida pelo Governo do Estado, enquanto duas vagas no Senado transformam Santa Catarina em um dos campos eleitorais mais disputados do país.
A disputa eleitoral de 2026 em Santa Catarina entrou em uma nova fase com a realização das convenções partidárias. As principais forças políticas do Estado já homologaram seus nomes para o governo, o Senado, a Câmara dos Deputados e a Assembleia Legislativa.
O cenário, no entanto, ainda não está definitivamente fechado. As convenções podem ser realizadas até esta quarta-feira, 5 de agosto, enquanto os partidos, federações e coligações terão até 15 de agosto para apresentar os pedidos de registro das candidaturas à Justiça Eleitoral. A campanha eleitoral nas ruas e na internet começa oficialmente no dia 16 de agosto.
Mais de 5,7 milhões de eleitores catarinenses estão aptos a votar no primeiro turno, marcado para 4 de outubro. Desse total, aproximadamente 89,7% possuem biometria cadastrada. Além de governador e vice-governador, os eleitores escolherão dois senadores, deputados federais, deputados estaduais e o presidente da República.
Jorginho Mello busca a reeleição
O governador Jorginho Mello foi confirmado pelo PL como candidato à reeleição. A chapa terá como vice Adriano Silva, do Novo, ex-prefeito de Joinville. A composição procura reunir o eleitorado conservador, o apoio da máquina estadual e a força política construída pelo PL nos últimos anos em Santa Catarina.
Na disputa pelo Senado, o grupo governista homologou as candidaturas de Carlos Bolsonaro e Caroline de Toni, ambos do PL. A escolha representa uma aposta na identificação de parte expressiva do eleitorado catarinense com o bolsonarismo.
A estratégia também carrega riscos. Ao apresentar dois candidatos do mesmo partido para as duas vagas disponíveis, o PL tentará convencer seus eleitores a votar de forma fechada na chapa. Ao mesmo tempo, enfrentará candidatos conservadores de outras alianças, especialmente Esperidião Amin e Antídio Lunelli.
Jorginho entra na campanha com a vantagem natural de quem ocupa o governo. Poderá apresentar investimentos, programas e obras realizados durante o mandato. Por outro lado, será cobrado pela situação da saúde pública, pela infraestrutura rodoviária, pelas demandas municipais e pelas promessas feitas durante a campanha de 2022.
João Rodrigues lidera aliança com PSD, MDB e PP
O ex-prefeito de Chapecó João Rodrigues foi confirmado pelo PSD como candidato ao Governo de Santa Catarina. Seu vice será o deputado federal Carlos Chiodini, do MDB. A chapa reúne importantes estruturas partidárias e tenta oferecer uma alternativa de direita e centro-direita ao atual governador.
O grupo conta ainda com candidaturas de peso ao Senado. O senador Esperidião Amin, do Progressistas, busca um novo mandato, enquanto o deputado estadual Antídio Lunelli representa o MDB na disputa pela segunda vaga.
João Rodrigues construiu sua principal base política no Oeste catarinense, especialmente após administrar Chapecó. A aliança com o MDB amplia sua presença para outras regiões e oferece palanques municipais importantes.
A candidatura coloca dois representantes do campo conservador frente a frente. Jorginho Mello e João Rodrigues disputarão parcelas semelhantes do eleitorado, principalmente entre os eleitores de direita e aqueles identificados com o bolsonarismo.
Essa divisão poderá impedir uma vitória no primeiro turno e aumentar as possibilidades de uma segunda votação para o governo estadual.
Gelson Merisio tenta unir esquerda e centro-esquerda
No campo de oposição, Gelson Merisio foi homologado pelo PSB como candidato a governador. A ex-deputada Ângela Albino, do PDT, integra a chapa como candidata a vice-governadora.
A aliança reúne PSB, PT, PDT, PSOL, Rede, PCdoB e PV. Para o Senado, foram confirmados Décio Lima, do PT, e Afrânio Boppré, do PSOL.
Merisio chega à eleição com o desafio de ampliar a presença da centro-esquerda em um Estado que, nas últimas disputas nacionais, apresentou forte votação em candidatos conservadores.
A estratégia deverá buscar votos entre servidores públicos, trabalhadores, movimentos sociais e eleitores insatisfeitos com a divisão da direita. O grupo também tentará nacionalizar parte do debate, vinculando sua chapa ao campo político do governo federal.
Ao mesmo tempo, Merisio precisará explicar sua trajetória política. Ex-integrante de partidos do campo conservador e candidato ao governo em 2018, ele terá de convencer o eleitor de esquerda de que sua mudança de posicionamento representa uma nova construção política, e não apenas uma estratégia eleitoral.
Outros partidos ampliam o número de candidaturas
Além das três chapas com maior estrutura partidária, outras legendas homologaram nomes para o Governo de Santa Catarina.
Entre eles estão Laís Chaud, da Unidade Popular; Marcelo Brigadeiro, do Missão; Marcus Sodré, do PSTU; Ralf Zimmer, do PRD; e Hélio Vaz, do Agir. Essas candidaturas poderão levar aos debates temas que normalmente recebem menos espaço nas campanhas das grandes coligações.
Apesar das homologações nas convenções, os nomes ainda precisam ter seus registros apresentados e analisados pela Justiça Eleitoral.
Senado pode ter a disputa mais acirrada
A eleição para o Senado promete ser uma das mais imprevisíveis de 2026 em Santa Catarina. Cada eleitor poderá votar em dois candidatos, situação que permite combinações entre nomes de alianças diferentes.
O PL aposta na força de Carlos Bolsonaro e Caroline de Toni. A aliança de João Rodrigues apresenta Esperidião Amin e Antídio Lunelli, enquanto o Campo Democrático lança Décio Lima e Afrânio Boppré.
Diferentemente da eleição para governador, na qual o eleitor escolhe apenas uma chapa, a disputa pelo Senado permite o chamado voto cruzado. Um eleitor poderá, por exemplo, escolher um candidato do PL e outro do PP, MDB, PT ou PSOL.
Essa característica dificulta previsões e aumenta a importância das campanhas individuais. Experiência política, presença nas regiões, rejeição, identificação partidária e capacidade de mobilização nas redes sociais serão decisivas.
Disputa estadual será influenciada pelo cenário nacional
A política catarinense continuará fortemente ligada à polarização nacional. O PL buscará transformar Santa Catarina em um dos principais palanques conservadores do país, enquanto a esquerda tentará recuperar espaço eleitoral e fortalecer sua representação no Congresso Nacional.
João Rodrigues, por sua vez, tentará ocupar uma faixa intermediária: manter o discurso conservador e, ao mesmo tempo, apresentar uma candidatura com apoio de partidos tradicionais, como PSD, MDB e Progressistas.
A campanha também deverá ser marcada pela disputa sobre quem representa de maneira mais legítima a direita catarinense. Essa concorrência poderá gerar críticas entre candidatos que, em outros momentos, estiveram no mesmo campo político.
Problemas reais precisam ocupar o centro do debate
Apesar do peso das disputas ideológicas, o eleitor catarinense deverá cobrar respostas para problemas concretos.
A precariedade de rodovias, as filas na saúde, a segurança pública, a valorização dos professores, a reconstrução de cidades atingidas por enchentes, a prevenção de desastres, o desenvolvimento regional e a relação de Santa Catarina com o governo federal devem aparecer entre os principais temas da campanha.
O Estado também enfrenta diferenças importantes entre suas regiões. Enquanto cidades do litoral e do Vale do Itajaí convivem com crescimento populacional acelerado e problemas de mobilidade, municípios do Oeste, Serra e Extremo-Oeste cobram investimentos, infraestrutura e condições para manter moradores e empresas.
Mais do que discursos nacionais ou disputas pessoais, a eleição deverá mostrar quais candidatos possuem propostas viáveis para enfrentar essas necessidades.
Campanha começa oficialmente em 16 de agosto
O primeiro turno será realizado em 4 de outubro de 2026. Caso nenhum candidato ao governo alcance a maioria absoluta dos votos válidos, o segundo turno ocorrerá no dia 25 de outubro.
Até lá, Santa Catarina acompanhará uma disputa marcada pela divisão da direita, pela tentativa de reorganização da esquerda, pelo fortalecimento das grandes coligações e por uma corrida imprevisível pelas duas vagas no Senado.
O eleitor terá a responsabilidade de analisar não apenas discursos e alianças, mas também o histórico, as propostas e a capacidade administrativa de cada candidato. Em uma eleição cercada por polarização e forte presença das redes sociais, informação confiável será fundamental para separar projetos concretos de promessas eleitorais.
Meta descrição: Eleições 2026 em Santa Catarina terão disputa entre Jorginho Mello, João Rodrigues e Gelson Merisio, além de uma corrida acirrada pelas duas vagas no Senado.
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