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As eleições de 2026 consolidaram uma expansão histórica da bancada feminina no Congresso Nacional, registrando o maior número de parlamentares mulheres já eleitas para a Câmara dos Deputados e o Senado Federal, embora os desafios de representatividade permaneçam.
Na Câmara dos Deputados, a presença feminina saltou de 90 para 109 representantes, configurando um aumento de 21%. O avanço ocorreu de forma surpreendente, visto que o total de candidatas federais caiu de 3.317 em 2022 para 2.820 no último pleito.
Já para o Senado Federal, os eleitores escolheram 12 mulheres para ocupar as 54 vagas disponíveis, o melhor desempenho feminino desde a redemocratização. Com essa renovação parcial, a bancada de senadoras subirá de 15 para 18 integrantes a partir do próximo ano.
Desafios para a equidade de gênero no Legislativo
Mesmo com o crescimento histórico, a disparidade de gênero ainda é acentuada. As 109 deputadas eleitas representam apenas 21% do total de 513 cadeiras da Câmara. A federação PT, PCdoB e PV liderou a eleição de mulheres, conquistando 34 assentos femininos.
No Senado, as mulheres ocuparão 22,2% das 81 vagas disponíveis. Regionalmente, o Distrito Federal se destaca como a única unidade federativa com três senadoras em exercício. Por outro lado, o Piauí segue como o único estado que nunca elegeu uma mulher para o cargo.
Divergência ideológica e pautas prioritárias
Especialistas alertam que o aumento quantitativo não se traduz automaticamente em avanços para os direitos das mulheres. Segundo Flávia Biroli, cientista política da Universidade de Brasília, a ampliação do espaço político traz também uma maior pluralidade ideológica, incluindo parlamentares com visões conservadoras.
Biroli destaca que algumas eleitas defendem pautas econômicas e sociais desfavoráveis à maioria das mulheres. Como exemplo, a cientista cita a deputada Bia Kicis, que se posicionou contra o projeto de lei que estabelece a igualdade salarial de gênero.
Representatividade de mulheres negras
O cenário para as mulheres negras apresentou avanços significativos na Câmara, mas retrocesso no Senado. A organização Mulheres Negras Decidem registrou a eleição de 15 deputadas negras federais em 2026, um crescimento expressivo de 66,6% em relação às 9 eleitas em 2022.
Tainah Pereira, coordenadora da organização, ressalta que a maioria dessas novas parlamentares federais são jovens, o que sinaliza um processo de renovação política promissor e gera expectativas positivas para a atuação dessas novas lideranças negras no parlamento.
Em contraste, nenhuma mulher negra foi eleita para o Senado em 2026. A senadora Eliziane Gama (PT), autodeclarada negra, não obteve a reeleição. Outras candidaturas expressivas, como as de Mariana Silva (Rede) e Benedita da Silva (PT), também não saíram vitoriosas na disputa pelas vagas.
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