Nas escolinhas de futebol, um problema silencioso tem ganhado força: a falta de verdadeiros formadores. Em vez de focarem na evolução técnica, emocional e social das crianças, muitas instituições priorizam apenas os resultados — e com isso, sacrificam o que mais importa: o desenvolvimento dos atletas.

Cada vez mais comum é a prática de escalar jogadores externos, muitas vezes jogando de graça, apenas para vencer torneios e campeonatos. Enquanto isso, o aluno que paga mensalidade regularmente mal entra em campo. Quando entra, é nos minutos finais, com o resultado já garantido, ou por no máximo cinco minutos. Isso não é formação, é exclusão.

O futebol, principalmente na infância, deveria ser uma escola de valores, aprendizado e evolução. A criança precisa jogar para crescer, testar suas habilidades, errar e aprender com os erros. Não adianta ter um histórico repleto de títulos se o aluno não participou de forma efetiva das competições, não vivenciou os desafios do jogo real e não aprimorou os fundamentos essenciais do futebol.

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Formar um atleta vai muito além de ganhar campeonatos. É sobre investir no potencial de cada menino e menina, respeitando o tempo de aprendizado e criando um ambiente justo, onde todos tenham oportunidade de crescer dentro e fora de campo.

É hora de resgatar o verdadeiro papel das escolinhas: formar seres humanos e atletas — e não apenas montar equipes para levantar troféus a qualquer custo.


@opiniaodoapito

Jefferson Rodrigues.