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Vivemos um tempo em que a escola, além de ser espaço de conhecimento e formação intelectual, tem sido também chamada — ou melhor, empurrada — a assumir papéis que antes pertenciam à família e à sociedade. A função primordial da escolarização, que é promover o desenvolvimento cognitivo, o raciocínio crítico, a leitura do mundo e a construção do saber, vem sendo sobreposta por demandas emocionais, sociais e comportamentais que muitas vezes extrapolam o campo da pedagogia.
O que antes era uma parceria entre escola e família, hoje, em muitos casos, se tornou uma relação desequilibrada, onde a escola precisa acolher, cuidar, orientar, mediar conflitos, suprir ausências e ainda ensinar. É como se a instituição escolar tivesse que abraçar sozinha a complexidade da formação humana, enquanto muitos pais, por cansaço, falta de tempo ou até por comodidade, delegam integralmente à escola a responsabilidade de educar.
E quando a escola tenta cumprir seu papel educativo — estabelecendo limites, regras, orientações —, depara-se com um novo obstáculo: o amparo excessivo em justificativas e laudos que, muitas vezes, são usados não como ferramentas de apoio, mas como escudos que impedem o enfrentamento da realidade. Não se trata de desconsiderar diagnósticos legítimos, mas de reconhecer que nenhum documento médico substitui o compromisso ético e afetivo dos pais na formação do caráter, da empatia e da responsabilidade dos filhos.
Professores e gestores se veem, assim, diante de um dilema doloroso: educar ou escolarizar? A cada dia, a escola é convocada a ser psicóloga, assistente social, conselheira familiar, mediadora de conflitos e, por último — e quando sobra tempo —, espaço de aprendizagem formal. E ainda assim, quando algo não vai bem, é a escola que carrega o peso da culpa.
O resultado é uma instituição sobrecarregada, profissionais exaustos e uma geração de estudantes que cresce sem compreender a importância dos limites, da responsabilidade e da convivência coletiva. A escola tenta, com todas as suas forças, preencher o vazio deixado por uma sociedade que se distancia do diálogo, da escuta e do compromisso compartilhado.
Talvez seja hora de resgatar o sentido original da parceria entre escola e família — não como delegação de funções, mas como união de propósitos. A educação é um ato coletivo, e quando um dos lados se omite, o outro não consegue sustentar sozinho o edifício da formação humana. A escola precisa voltar a ensinar, mas, para isso, a família precisa voltar a educar.
Ex Secretário Municipal de Educação de Timbó na empresa Prefeitura de Timbó
FONTE/CRÉDITOS: Alfroh Postai
O texto acima expressa a visão de quem o escreveu, não necessariamente a de nosso portal.
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