Há algo de profundamente simbólico e um tanto constrangedor no espetáculo recente de certos opositores do atual presidente do Brasil. Em vez de projetos, passos ensaiados. No lugar de propostas, refrões reciclados. A política, ao que parece, foi reduzida a uma coreografia apressada, pensada não para transformar o país, mas para performar indignação em vídeos de quinze segundos.
Não se trata aqui de uma crítica ao funk expressão cultural legítima, potente e nascida das periferias, mas ao uso oportunista e superficial que dele se faz.
 De repente, figuras que jamais olharam para essas realidades descobrem, entre uma gravação e outra, que dançar pode render engajamento. E assim, entre um passinho e outro, tenta-se maquiar a ausência gritante de ideias.

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O problema não é dançar. É dançar no vazio.
Enquanto isso, os discursos seguem rasos, previsíveis e, muitas vezes, deliberadamente chulos. Apostam na polarização como estratégia única, como se o país fosse um ringue infinito onde o objetivo não é construir, mas desgastar.
Criam-se inimigos imaginários, distorcem-se fatos, simplificam-se problemas complexos tudo para manter acesa uma chama que aquece mais os próprios interesses do que qualquer projeto coletivo.
A lógica parece simples: quanto mais barulho, menos cobrança por conteúdo. Quanto mais viral, menos necessidade de explicar. 
A política vira entretenimento de baixa qualidade, e o cidadão, reduzido a espectador de um espetáculo que não o inclui apenas o manipula. No fundo, o que se vê é uma inversão perigosa: ao invés de disputar ideias, disputa-se atenção.
Ao invés de convencer pela razão, tenta-se capturar pelo algoritmo.
E assim, o debate público vai sendo esvaziado, substituído por uma sucessão de cenas performáticas que pouco dizem e nada resolvem.
Talvez o mais irônico seja que, ao tentar parecerem populares, acabam apenas revelando o quanto estão distantes da realidade.
Porque o povo aquele que vive os problemas na pele não precisa de coreografia. Precisa de resposta.
E isso, infelizmente, não se aprende em dancinha.
FONTE/CRÉDITOS: Alfroh Postai - PROFESSOR