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Em diversas cidades de Santa Catarina, um fenômeno cada vez mais evidente tem gerado incômodo entre eleitores: o uso da tribuna das câmaras municipais como extensão de disputas ideológicas nacionais, muitas vezes desconectadas das reais necessidades da população local.
A função de um vereador é clara — fiscalizar o Executivo, propor melhorias para o município e representar os interesses diretos da comunidade. No entanto, o que se vê em sessões legislativas de cidades como Timbó, Indaial e Blumenau é um cenário que, para muitos, beira o desvirtuamento do cargo. Discursos inflamados sobre pautas nacionais, embates ideológicos e ataques entre grupos políticos têm tomado o espaço que deveria ser dedicado a problemas concretos como saúde, infraestrutura, educação e segurança.
O resultado dessa mudança de foco é perceptível: projetos relevantes ficam em segundo plano, debates produtivos dão lugar a confrontos retóricos e a população, que espera soluções práticas, assiste a um espetáculo político que pouco impacta seu dia a dia.
Especialistas em gestão pública alertam que esse comportamento enfraquece a credibilidade do Legislativo municipal. Ao transformar a tribuna em palanque, vereadores deixam de cumprir seu papel essencial e passam a atuar como agentes de polarização — muitas vezes mirando projeção pessoal ou alinhamento com lideranças partidárias de maior visibilidade.
Outro ponto que levanta questionamentos é o custo dessa postura. Sessões prolongadas por debates ideológicos, com pouca efetividade prática, representam gasto de dinheiro público sem retorno proporcional para a sociedade. Em tempos de cobrança por transparência e eficiência, o eleitor tem se mostrado cada vez menos tolerante a esse tipo de atuação.
Por outro lado, há quem defenda que vereadores têm, sim, o direito de expressar posicionamentos ideológicos. O problema, segundo críticos, não está na opinião em si, mas na prioridade: quando o discurso político se sobrepõe à entrega de resultados concretos, o mandato perde sua essência.
A crescente insatisfação popular pode, inclusive, refletir nas urnas. O eleitor catarinense tem demonstrado maior atenção ao desempenho de seus representantes, cobrando não apenas posicionamentos, mas ações efetivas que tragam benefícios reais às cidades.
No fim das contas, a pergunta que fica é simples — e incômoda: a tribuna está sendo usada para servir à população ou para alimentar disputas que pouco têm a ver com a realidade local?
A resposta, como sempre, não está apenas nas palavras ditas nas sessões, mas principalmente nas ações — ou na falta delas.
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