A Polícia Civil deflagrou, na manhã desta terça-feira (3), a Operação Hora-Máquina, que investiga um suposto esquema de superfaturamento e desvio de materiais públicos no âmbito da Prefeitura de Gaspar. As apurações se concentram em contratos de aluguel de máquinas pesadas e no consumo de materiais utilizados em obras de pavimentação, especialmente no último trimestre de 2024.
Segundo a investigação, em setembro de 2024 a prefeitura publicou um edital para a aquisição de macadame e materiais similares, com quantitativos estimados para atender a demanda do município por um período de até um ano. No entanto, entre os meses de outubro e dezembro do mesmo ano, as secretarias de Obras e de Agricultura, além do Serviço Autônomo Municipal de Água e Esgoto (SAMAE), teriam consumido toda a quantidade anual prevista na ata de registro de preços.
Ainda conforme a Polícia Civil, no mesmo período também foi registrado o esgotamento total das horas contratadas para o uso de motoniveladora (patrola), o que teria deixado o município sem saldo disponível do serviço para os meses seguintes.
As investigações apontam ainda que uma mesma família teria constituído diversas pessoas jurídicas que, de forma considerada atípica, concorriam entre si em processos licitatórios voltados ao fornecimento de macadame e ao aluguel de máquinas pesadas para o município.
Com o aprofundamento das diligências, a polícia identificou indícios de que parte do material público — como macadame e areia industrial — além de horas de máquinas, teria sido desviada para fins particulares. Entre as irregularidades apuradas está a aplicação desses recursos em terrenos de propriedade de servidores públicos investigados, o que teria contribuído para o esgotamento precoce dos contratos.
Os servidores sob investigação ocupavam, à época dos fatos, os cargos de Secretário de Obras, Secretário de Agricultura e Presidente do SAMAE. Também são alvos da operação servidores responsáveis pela fiscalização dos contratos, além de um ex-vereador que não foi reeleito na última legislatura.
A Polícia Civil segue com as investigações para apurar a extensão dos prejuízos aos cofres públicos e a responsabilidade individual dos envolvidos.
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