A discussão sobre o fim da escala 6x1 voltou a incendiar o debate político nacional e colocou a deputada federal Júlia Zanatta (PL-SC) no centro de uma forte reação nas redes sociais. Crítica à proposta que busca reduzir a jornada de trabalho e garantir mais tempo de descanso ao trabalhador brasileiro, a parlamentar passou a ser alvo de questionamentos não apenas por sua posição política, mas também pelo tom adotado ao responder eleitores e manifestantes.
O ponto mais sensível da polêmica está na forma como a deputada tenta justificar sua posição. Ao chamar a proposta de “populismo barato” e afirmar que trabalhadores que não aguentam a escala 6x1 deveriam “abrir o próprio negócio”, Zanatta provocou indignação entre muitos brasileiros que vivem justamente a realidade de jornadas exaustivas, transporte precário, baixos salários e pouco tempo para a família. A declaração foi registrada pelo Poder360 em 21 de maio de 2026.
Na comissão especial que debate o tema, Zanatta também foi vaiada por manifestantes após defender que o fim da escala 6x1 poderia prejudicar o trabalhador e encarecer produtos e serviços. Segundo a Gazeta do Povo, ela confrontou pessoas presentes na sessão e acusou manifestantes de fazerem campanha política, aumentando ainda mais o clima de tensão.
A deputada também apresentou uma emenda à PEC da escala 6x1 propondo uma transição longa para a redução da jornada. De acordo com o Congresso em Foco, a proposta previa redução de uma hora na jornada nacional a cada três anos, fazendo com que a meta de 40 horas semanais só fosse atingida em 2038, caso a PEC fosse aprovada em 2026.
Outro ponto que circulou nas redes foi a acusação de que Júlia Zanatta teria “faltado 292 dias” em 2025. Porém, é preciso cuidado jornalístico: a própria Câmara dos Deputados classificou essa informação como falsa. Segundo o portal Comprove, da Câmara, a deputada participou de 73 das 121 sessões de votação em plenário em 2025. Das ausências, 46 ocorreram durante licença-maternidade e apenas duas ficaram sem justificativa, correspondendo a 1,65% das sessões realizadas.
Mesmo assim, a cobrança política permanece. O problema não está apenas nos números de presença, mas na postura pública diante de um tema que afeta milhões de trabalhadores. Quando uma parlamentar eleita pelo povo trata uma pauta social com deboche, ironia ou aparente desprezo, a discussão deixa de ser apenas sobre legislação trabalhista e passa a ser também sobre respeito, empatia e responsabilidade no exercício do mandato.
A defesa dos pequenos empresários é legítima e necessária, mas não pode servir como escudo para desqualificar trabalhadores que pedem uma jornada mais humana. O Brasil precisa discutir impactos econômicos, transição, produtividade e geração de empregos, mas também precisa ouvir quem trabalha seis dias por semana e muitas vezes não tem tempo sequer para descansar, estudar ou conviver com a família.
No fim das contas, a polêmica envolvendo Júlia Zanatta revela uma pergunta incômoda: representantes eleitos estão realmente debatendo soluções para o trabalhador ou apenas usando as redes sociais como palco para lacração política?
Comentários
Para comentar realize o login em sua conta!
Login Cadastre-se