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Notícias/Saúde

Doença falciforme: entenda os sintomas que vão além da anemia

No Dia Mundial de Conscientização sobre a Doença Falciforme, celebrado em 19 de junho, especialistas alertam para a complexidade da condição genética, que afeta cerca de 100 mil brasileiros e exige maior visibilidade e combate ao preconceito.

Doença falciforme: entenda os sintomas que vão além da anemia
© Wilson Dias/Agência Brasil
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A doença falciforme, uma condição genética e hereditária, manifesta-se de forma mais complexa do que a simples anemia, pela qual é frequentemente conhecida. Hematologistas ressaltam que a doença afeta múltiplos órgãos e pode impactar até 100 mil pessoas no Brasil, segundo estimativas do Ministério da Saúde. A data de 19 de junho, Dia Mundial de Conscientização sobre a Doença Falciforme, instituída pela ONU, visa aumentar a visibilidade da condição, combater o preconceito e aprimorar o acesso a diagnóstico e tratamento.

A anemia é, de fato, um dos primeiros e mais reconhecidos sintomas da doença falciforme. Essa condição decorre de uma alteração nas hemácias, as células responsáveis pelo transporte de oxigênio. Em indivíduos afetados, essas células perdem seu formato arredondado e adquirem uma forma alongada, semelhante a uma foice, daí o nome falciforme.

Essas hemácias em formato de foice são menos duráveis que as normais, que vivem cerca de 120 dias. Elas se fragmentam mais rapidamente, levando à anemia crônica. Além disso, sua rigidez pode causar obstruções nos vasos sanguíneos, prejudicando o fluxo de oxigênio para os tecidos.

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Com o tempo, a falta de oxigenação adequada pode levar a microinfartos em diversas partes do corpo, afetando membros e órgãos vitais como coração e olhos. Essa progressão pode resultar em complicações como cardiopatia, pneumopatia e nefropatia.

Diagnóstico precoce pelo Teste do Pezinho

O diagnóstico da doença falciforme pode ser realizado precocemente através do Teste do Pezinho, um exame obrigatório e gratuito para recém-nascidos, que inclui a pesquisa de hemoglobina desde 1992. O diagnóstico na fase inicial é crucial para uma evolução clínica mais favorável do paciente, especialmente na prevenção de infecções, que representam uma das principais causas de mortalidade em crianças menores de 7 anos.

Embora a doença falciforme geralmente não tenha cura, o tratamento médico pode atenuar significativamente os sintomas. Em casos selecionados, o transplante de medula óssea pode oferecer uma opção curativa, desde que o paciente atenda aos critérios e haja um doador compatível.

Crises de dor intensa são um sintoma marcante

As crises de dor intensa são outro sintoma característico da doença falciforme, provocadas pela obstrução dos vasos sanguíneos pelas hemácias anormais. Essas dores frequentemente afetam ossos e articulações, mas podem ocorrer em qualquer parte do corpo.

Em crianças, as crises podem manifestar-se com inchaço e vermelhidão nas mãos e pés. A intensidade da dor pode ser tão severa que requer internação em unidades de terapia intensiva (UTI) para administração de analgésicos potentes, como a morfina.

A hematologista Marimília Pita destaca a disparidade no manejo da dor em comparação com outros países, onde o uso de morfina em crises agudas é mais frequente. Essa falta de acesso adequado ao tratamento da dor pode agravar o sofrimento do paciente e levar a uma piora clínica ao longo do tempo, além de estigmatização.

Racismo estrutural agrava o quadro

Marimília Pita também aponta o racismo estrutural como um desafio significativo para os pacientes com doença falciforme. A maior incidência da doença em populações negras, associada a fatores socioeconômicos, contribui para a marginalização e o estigma.

É importante ressaltar que a doença falciforme não é exclusiva de uma raça ou continente, sendo encontrada globalmente em diversas populações e etnias.

Relatos de pacientes: superação e desafios

Nilceia Alves Gomes da Silva compartilhou a jornada de seu filho, Agner Eduardo, diagnosticado com a doença falciforme antes dos 2 anos. As crises de dor e inchaço foram os primeiros sinais, que levaram a um diagnóstico tardio. Após a descoberta, iniciou-se um acompanhamento médico que permitiu a Agner levar uma vida ativa, com formação em direito e família.

Lucas Henrique Gama Nascimento, outro paciente com a doença falciforme, relata as limitações e os impactos emocionais da condição. A necessidade de adaptação e a incerteza quanto ao planejamento de atividades foram desafios constantes. O apoio familiar foi fundamental para sua resiliência.

Lucas, que se formou em Tecnologia em Sistemas Eletrônicos Digitais e atuou na área, enfrenta atualmente sequelas da doença, como necrose no fêmur, e aguarda por tratamento. Ele também é autor do livro "Você tem um propósito", que aborda inteligência emocional e superação de adversidades.

FONTE/CRÉDITOS: Alana Gandra - Repórter da Agência Brasil ​

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