A gestão pública em muitos municípios brasileiros vive uma grave crise de responsabilidade e competência.
 

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O que deveria ser um compromisso sério com a sociedade, pautado em planejamento, conhecimento técnico e evolução constante dos serviços, tem sido substituído por uma política rasa, marcada pela improvisação e pelo espetáculo digital.
 
A consequência? Um desastre silencioso, porém devastador, que mina qualquer possibilidade de avanço real e sustentável.
 
Os agentes públicos, eleitos ou nomeados, muitas vezes chegam aos cargos sem preparo mínimo para lidar com as complexidades que envolvem a administração pública.
 
Sem formação adequada, sem compreensão das legislações, sem domínio sobre planejamento estratégico, gestão de pessoas, indicadores de qualidade e prestação de contas, esses indivíduos acabam reduzindo sua atuação à produção de vídeos infantiloides, lives vazias e discursos populistas — conteúdos cuidadosamente montados para gerar curtidas e engajamento, mas absolutamente desconectados da realidade dos serviços públicos.
 
Essa teatralização da gestão não é inofensiva. Ela mascara a falta de entrega, oculta a desorganização interna, esconde a desvalorização dos profissionais sérios e destrói a cultura de melhoria contínua.
 
Ao invés de equipes capacitadas, técnicas e comprometidas com o bem coletivo, assistimos à montagem de estruturas inchadas, comissionadas por conveniência política, onde a prioridade é agradar aliados e manter aparências, não melhorar a vida da população.
 
É uma engrenagem viciada: se maquiam dados, se encenam ações, se vendem resultados inexistentes enquanto os problemas reais — que exigem preparo, planejamento, estudo e trabalho duro — são varridos para debaixo do tapete. Saúde, educação, assistência social, infraestrutura... todas sofrem com essa farsa institucionalizada.
 
A população é distraída com vídeos, slogans e frases de efeito, enquanto a qualidade dos serviços despenca, a médio e longo prazos, de forma muitas vezes irreversível.
 
 
Não se pode admitir que o serviço público continue sendo tratado como palco de vaidades e trampolim político. É preciso romper com essa lógica superficial, onde imagem vale mais que resultado, e cobrar compromisso com o futuro, com a técnica, com a verdade e com o coletivo.
 
Governar não é entreter. É assumir responsabilidades, enfrentar problemas complexos com coragem, e entregar políticas públicas que resistam ao tempo — e não apenas ao próximo story.

 

FONTE/CRÉDITOS: Alfroh Postai Ex Secretário Municipal de Educação de Timbó