Florianópolis concentra nesta sexta-feira (31) milhares de profissionais da saúde em um momento que simboliza uma mudança silenciosa, mas profunda, no mercado da estética. No segundo dia do CONGREHOF: Congresso de Harmonização Orofacial, Corporal e Saúde Integrativa, cerca de cinco mil participantes acompanham discussões que vão além das técnicas clínicas e ajudam a compreender como a estética deixou de ser um segmento voltado apenas à aparência para se consolidar como uma das áreas mais promissoras da economia da saúde.
O movimento acompanha um mercado em franca expansão. De acordo com a Fortune Business Insights, a medicina estética movimentou aproximadamente US$ 101,8 bilhões em 2025 e deve alcançar US$ 280 bilhões até 2034, mantendo crescimento médio anual próximo de 12%. O avanço é impulsionado pela popularização de procedimentos minimamente invasivos, pelo desenvolvimento de tecnologias de alta precisão e pelo fortalecimento da medicina regenerativa, considerada uma das principais apostas do setor para a próxima década.
O Brasil ocupa posição privilegiada nesse cenário. Dados da International Society of Aesthetic Plastic Surgery (ISAPS) colocam o país entre os líderes mundiais em número de procedimentos estéticos, reflexo de um mercado que alia capacidade técnica, inovação e uma cadeia produtiva cada vez mais estruturada. A demanda crescente também elevou o nível de exigência dos pacientes, que passaram a buscar tratamentos personalizados, resultados naturais e protocolos fundamentados em evidências científicas.
É justamente essa transformação que se observa nos corredores do CentroSul. Profissionais de diferentes regiões do Brasil e de países como Colômbia, Argentina, Chile, Equador, Honduras e Peru participam de uma programação que reúne quatro arenas científicas simultâneas, demonstrações clínicas em tempo real, dois consultórios preparados para procedimentos ao vivo e cerca de mil lugares destinados às transmissões das intervenções. O maior painel de LED já instalado em um evento brasileiro de estética reforça como a tecnologia também passou a integrar o processo de ensino e atualização profissional.
Se há poucos anos os debates estavam concentrados em técnicas de harmonização facial, hoje o foco se amplia para temas como medicina regenerativa, bioestimuladores, qualidade da pele, saúde integrativa e protocolos combinados. A mudança acompanha um novo perfil de paciente, mais interessado em prevenção, longevidade e qualidade de vida do que em transformações estéticas evidentes.
Essa evolução também movimenta investimentos. Clínicas de todo o país ampliam os aportes em equipamentos de última geração, softwares de diagnóstico e plataformas capazes de oferecer maior previsibilidade e segurança aos tratamentos. Nesse contexto, congressos científicos deixaram de ser apenas espaços de atualização para se tornarem ambientes estratégicos de geração de negócios, lançamento de tecnologias e intercâmbio internacional entre pesquisadores, fabricantes e profissionais.
O encontro realizado em Florianópolis ilustra esse novo momento ao reunir dezenas de empresas expositoras e especialistas latino-americanos em torno de um setor que cresce em complexidade e profissionalização. Mais do que apresentar novidades, o evento evidencia que a inovação passou a depender da integração entre pesquisa, prática clínica e desenvolvimento tecnológico.
Ao observar o que acontece dentro das salas de aula, das arenas científicas e das demonstrações ao vivo, fica evidente que a maior transformação da estética não está apenas nos procedimentos. Ela está na mudança de propósito. O setor passou a vender menos intervenções isoladas e mais saúde, funcionalidade e envelhecimento saudável. O CONGREHOF, em seu segundo dia, acaba sendo um reflexo desse cenário: a consequência visível de uma indústria que amadureceu, ganhou dimensão internacional e se consolidou como uma das mais relevantes da economia da saúde.
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