Analistas e especialistas em geopolítica alertam que o Brasil enfrenta um risco real de interferência cibernética nas eleições deste ano, promovida pelos Estados Unidos com o auxílio de bigtechs. O alerta ocorre após uma sequência de sanções contra autoridades brasileiras e o anúncio de medidas inéditas da Casa Branca direcionadas à espionagem digital.
Um recente memorando assinado pelo presidente Donald Trump autorizou a cooperação da Casa Branca com corporações de tecnologia para ações de vigilância e inteligência digital. A medida prevê o acesso a sistemas de informação e infraestruturas digitais sem autorização prévia dos proprietários dos sistemas.
Segundo o pesquisador Reynaldo Aragon, do Núcleo de Estudos Estratégicos em Comunicação, Cognição e Computação, a norma permite invasões profundas. Com isso, torna-se possível a criação de relatórios e dossiês direcionados a favorecer ou prejudicar candidaturas específicas durante o pleito.
O documento norte-americano prevê ainda a realização de operações de efeitos cibernéticos, capazes de manipular, interromper ou degradar redes de telecomunicações e controle industrial. Diante desse cenário, Aragon defende o fortalecimento da infraestrutura digital própria no Brasil para mitigar a dependência de empresas dos EUA.
Ações ocultas e manipulação de informação
Ao contrário das pressões diplomáticas públicas, como a retaliação de vistos e tarifas comerciais, as investidas no ecossistema digital costumam ocorrer de maneira oculta. Especialistas ressaltam que o impulsionamento de conteúdos e a extração de dados representam ameaças estruturais ao processo democrático nacional.
O historiador e especialista em geopolítica Euclides Vasconcelos aponta que as empresas de tecnologia funcionam como extensão das estratégias de Estado dos Estados Unidos. As plataformas conseguem canalizar e influenciar recortes demográficos específicos por meio da circulação de notícias direcionadas.
Vasconcelos recorda que esse alinhamento ficou evidente com a nomeação de executivos de grandes empresas de tecnologia para cargos de comando no Exército norte-americano. A movimentação reflete a nova doutrina de segurança de Washington, que visa garantir a proeminência sobre os países da América Latina.
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