A internet, que poderia ser um espaço para aprendizado, criatividade e lazer, vem se tornando também um palco perigoso para a chamada adultização precoce. Trata-se do fenômeno em que crianças e adolescentes, por meio de roupas, poses, falas e comportamentos, são levados a reproduzir padrões do universo adulto muito antes de estarem prontos para isso.
E, no centro dessa engrenagem, estão criadores de conteúdo e youtubers que, em busca de cliques, curtidas e monetização, transformam a inocência infantil em mercadoria.
Vídeos de “transformação de visual”, desafios com conotação sexual velada, encenações com temas adultos e roteiros que exploram a estética sensual são apresentados como “diversão” ou “conteúdo inofensivo”.
Mas por trás do entretenimento, há um processo silencioso e perigoso: moldar comportamentos infantis para satisfazer não apenas o público, mas principalmente os algoritmos que premiam visualizações e engajamento.
Essa pressa em empurrar crianças para o palco adulto cobra um preço alto. Quando expostas precocemente a padrões de sexualização e pressão estética, elas correm riscos sérios de desenvolver distorções de autoimagem, inseguranças e comportamentos de risco.
O corpo pode estar presente, mas a maturidade emocional ainda não chegou e é nesse espaço que se acumulam as consequências psicológicas e sociais.
O problema é agravado pelo fato de que muitos desses criadores não apenas permitem, mas incentivam a participação de menores nesse tipo de conteúdo, sem medir o impacto.
Enquanto isso, as plataformas digitais continuam a lucrar com cada visualização, sem filtros eficazes para proteger o que deveria ser intocável: o direito à infância.
Responsabilidade não é opcional.
Pais, responsáveis, produtores de conteúdo e as próprias plataformas precisam assumir um compromisso real com a proteção de crianças e adolescentes.
Não se trata de proibir a expressão ou a criatividade, mas de respeitar limites que garantam que a infância seja vivida em sua plenitude e não consumida como produto de consumo rápido para alimentar métricas.
Do contrário, estaremos perpetuando um cenário em que cada like custa um pedaço da inocência, e onde a pressa em crescer não vem da criança, mas da ganância de quem deveria dar exemplo.
Ex Secretário Municipal de Educação de Timbó na empresa Prefeitura de Timbó
Trabalhou como Diretor da Escola Municipal Professor Nestor Margarida na empresa Prefeitura de Timbó
Trabalhou como Professor na empresa CEDUP
FONTE/CRÉDITOS: Alfroh Postai
O texto acima expressa a visão de quem o escreveu, não necessariamente a de nosso portal.
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