Adicione nosso site às suas fontes preferidas para acompanhar nossas notícias. 📰
A violência política de gênero marcou o primeiro turno das eleições no Brasil, vitimando principalmente candidatas mulheres entre os 134 casos de agressões e ameaças registrados durante a campanha. O levantamento, realizado pelas organizações Terra de Direitos e Justiça Global, expõe o impacto direto da intimidação sistemática contra a democracia no país.
Do total de ocorrências mapeadas nos 50 dias de corrida eleitoral, 70 tiveram mulheres como alvos principais, o que representa 52,2% dos episódios. O cenário se mostra ainda mais grave ao considerar apenas os ataques direcionados exclusivamente a candidaturas: as postulantes femininas foram vítimas em 58,8% das situações, embora ocupem apenas cerca de um terço das candidaturas totais.
Casos recentes, como as ameaças de morte e violência sexual denunciadas pela deputada federal eleita Ana Elisa (PT-MG), ilustram a gravidade do cenário. Segundo Gisele Barbieri, coordenadora da Terra de Direitos, as agressões visam desqualificar e intimidar a presença feminina nos espaços de poder. A maioria dos ataques ocorreu nas ruas (71 casos), enquanto o ambiente digital impulsiona ofensas devido à falta de regulação das redes.
Subnotificação e escalada da violência
A pesquisa aponta que os números oficiais podem ser ainda maiores, já que muitos episódios não são denunciados por medo de exposição sem o devido suporte policial. Comparado ao primeiro turno das eleições de 2022, quando foram notificados 121 casos, houve um aumento significativo. No período eleitoral, a taxa de agressões foi cinco vezes superior à média dos períodos normais de mandato.
Entre as tipologias mapeadas, a ameaça foi a violência mais comum, totalizando 64 registros, seguida por ofensas verbais, agressões físicas, atentados e assassinatos. Embora os crimes letais e atentados tenham atingido majoritariamente homens em instâncias municipais, as mulheres concentraram a totalidade das ameaças de cunho sexual e 61,9% das agressões simbólicas.
Perfis mais atingidos e impunidade
O recorte racial revela que pessoas negras sofreram 44,8% de todos os ataques catalogados. Entre as mulheres atingidas, mais de 25% eram pretas, sofrendo a sobreposição do machismo e do racismo estrutural. A coordenadora da Justiça Global, Glaucia Marinho, reforça que esses recortes sociais tornam determinados grupos ainda mais vulneráveis durante a disputa de cargos públicos.
A impunidade também preocupa as entidades: nenhum dos 134 casos monitorados resultou em punição efetiva aos autores até o fim da coleta dos dados. Em 26 situações, o agressor identificado exercia função pública. Os estados com maior número de episódios foram São Paulo, Rio Grande do Norte, Minas Gerais e Rio Grande do Sul.
Comentários
Para comentar realize o login em sua conta!
Login Cadastre-se