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Em seu auge, a empresa figurou como uma das principais forças da indústria têxtil local, movimentando a economia, gerando centenas de postos de trabalho diretos e indiretos e ajudando a consolidar Timbó como referência regional no setor.
O fechamento da Malharia Diana, no entanto, marcou não apenas o fim de uma empresa, mas o início de um vazio econômico e urbano que até hoje não foi preenchido. As causas do encerramento das atividades passam por uma combinação de fatores: a crescente concorrência internacional, especialmente com produtos asiáticos de baixo custo; a dificuldade de modernização do parque fabril; a alta carga tributária; além das transformações no mercado têxtil brasileiro, que afetaram duramente empresas tradicionais que não conseguiram se adaptar com rapidez.
Com o encerramento das operações, o grande complexo industrial da Malharia Diana ficou para trás — e com ele, um espaço estratégico que poderia ter sido reaproveitado para novos empreendimentos, projetos sociais, culturais ou mesmo para a atração de novas indústrias. No entanto, o que se vê hoje é um cenário de abandono e subutilização.
O não aproveitamento da área envolve uma série de impedimentos. Questões jurídicas relacionadas à propriedade do imóvel, pendências ambientais, zoneamento urbano e possíveis débitos acumulados ao longo dos anos criaram um emaranhado burocrático que trava qualquer iniciativa concreta. Soma-se a isso o alto custo de recuperação da estrutura, que exige investimentos significativos para adequação às normas atuais de segurança, acessibilidade e meio ambiente.
Ainda assim, cresce o questionamento sobre o papel da gestão municipal diante desse cenário. Embora o imóvel seja de natureza privada, especialistas em planejamento urbano e parte da comunidade defendem que o poder público poderia atuar como mediador, articulador ou indutor de soluções — seja por meio de parcerias público-privadas, revisão de instrumentos urbanísticos, incentivos fiscais ou até projetos de requalificação urbana.
A ausência de uma intervenção mais ativa da administração municipal alimenta críticas e a sensação de que Timbó perdeu oportunidades importantes de transformar um símbolo do passado industrial em um motor para o futuro. Enquanto outras cidades apostam na reconversão de antigos espaços fabris em polos de inovação, cultura ou serviços, Timbó segue convivendo com um gigante adormecido no coração do município.
A história da Malharia Diana é, hoje, mais do que uma lembrança de tempos prósperos. Ela se tornou um retrato das dificuldades de adaptação econômica, dos entraves burocráticos e da falta de planejamento de longo prazo. O debate sobre seu destino permanece aberto — e necessário — para que o passado industrial não continue sendo apenas um monumento ao abandono, mas possa, enfim, ser transformado em oportunidade.
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