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A capacidade de armazenamento de carbono no Cerrado está diretamente ligada a fatores ambientais e ao uso da terra, conforme revela um estudo recente desenvolvido por cientistas do Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM).
O trabalho integrou dados de 30 pesquisas conduzidas em variadas zonas do bioma. O intuito foi examinar de que maneira o clima, a constituição do solo e o manejo agrícola interferem na dinâmica e na permanência desse elemento na terra.
As análises abrangeram diferentes cenários de uso da terra, como vegetação nativa, agricultura convencional, plantio direto, pastagens e sistemas integrados. Os especialistas buscaram compreender o volume total de carbono e quais fatores potencializam sua retenção a longo prazo.
Diferentes formas de carbono no solo
Um dos achados centrais indica que as frações de carbono respondem de formas distintas aos estímulos. O carbono orgânico particulado, originado de resíduos vegetais como folhas e raízes, demonstra maior vulnerabilidade a alterações ambientais e práticas de manejo.
Em contrapartida, o carbono associado aos minerais recebe maior proteção contra a decomposição. Essa fração exibe uma correlação direta com os teores de silte e argila presentes na estrutura do solo.
“Quanto mais silte e argila se tem, mais acúmulo de carbono se vai ter, porque esses minerais terão mais interações com o carbono”, destacou a pesquisadora Sarah Tenelli, coordenadora do estudo no CNPEM.
Importância do elemento para a agricultura
A matéria orgânica cumpre papéis vitais no suporte ao solo, atuando como fonte energética para microrganismos, provedora de nutrientes e agente de retenção hídrica. Isso resulta em maior produtividade agrícola e menor dependência de insumos químicos.
Adotar sistemas produtivos sustentáveis que incrementem a matéria orgânica ajuda a mitigar os impactos das mudanças climáticas. Trata-se de retirar o dióxido de carbono da atmosfera e estocá-lo de forma segura no subsolo.
Próximos passos e modelagem
A investigação prosseguirá com a aplicação de modelos matemáticos para simular cenários futuros de uso da terra. Foram selecionadas áreas nos estados do Mato Grosso, Goiás, Bahia e Piauí para prever impactos de diferentes manejos na produtividade e no estoque de carbono.
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