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A Sociedade Catarinense de Oftalmologia (SCO) completa 40 anos neste domingo (18), com uma trajetória que ultrapassa a representação dos médicos especialistas. Entre suas conquistas estão a mobilização pela legislação que ampliou o Teste do Olhinho em Santa Catarina, a atuação na defesa do exercício médico e iniciativas de prevenção que aproximam a saúde ocular da população.
Fundada em Florianópolis, em 1986, por 16 oftalmologistas, entre eles o Dr. Otávio Nesi, primeiro presidente da entidade, a SCO acompanhou quatro décadas de transformações na medicina.
Nesse período, técnicas cirúrgicas, medicamentos e recursos diagnósticos evoluíram significativamente, enquanto a Sociedade consolidou uma agenda de formação científica, integração profissional e representação institucional.
Congressos, cursos e encontros regionais fazem parte dessa trajetória.
Em 2026, sob a presidência do Dr. André Frutuoso, a SCO esteve à frente da realização do Congresso Sul-Brasileiro de Oftalmologia (SULBRA), reunindo especialistas dos três estados do Sul em torno dos avanços científicos e dos desafios da profissão.
Para Frutuoso, que preside a entidade na gestão 2025–2027, a rápida evolução tecnológica exige atualização permanente e capacidade crítica. “Hoje temos acesso a uma quantidade enorme de informação, mas informação não é necessariamente conhecimento, e novidade não é necessariamente avanço”, observa, ao destacar a responsabilidade das sociedades médicas na avaliação de novas técnicas e tecnologias.
Defesa do exercício médico e segurança da população
Uma das frentes históricas da SCO é a defesa das atribuições médicas e dos padrões científicos e éticos da oftalmologia. A entidade participa das discussões sobre os limites de atuação profissional, sustentando que diagnósticos e tratamentos devem respeitar as competências estabelecidas pela legislação.
“A oftalmologia não se resume à medição do grau e à prescrição de lentes. O exame oftalmológico permite identificar doenças que podem comprometer a visão e que, em muitos casos, estão relacionadas a condições sistêmicas”, explica André Frutuoso.
O presidente alerta que doenças como glaucoma e alterações da retina podem passar despercebidas quando sintomas visuais são tratados exclusivamente como necessidade de correção óptica, retardando diagnósticos e comprometendo a saúde do paciente.
“A defesa da oftalmologia não deve ser entendida como uma disputa corporativa. O ponto central é o paciente”, ressalta.
Teste do Olhinho: conquista da SCO amplia a proteção à infância
Entre os principais resultados da atuação institucional da Sociedade está sua participação na mobilização que contribuiu para a aprovação da Lei Estadual nº 19.108/2024, que ampliou a realização do Teste do Olhinho nas maternidades e hospitais públicos e privados de Santa Catarina.
O exame, realizado nas primeiras 72 horas de vida, permite identificar sinais de doenças oculares graves, entre elas o retinoblastoma, câncer que acomete principalmente crianças pequenas. A legislação também prevê avaliações posteriores durante a infância, ampliando as oportunidades de diagnóstico precoce.
A conquista evidencia a importância da SCO na articulação de medidas que alcançam diretamente a população catarinense. Essa atuação se estende a campanhas de prevenção ao glaucoma, ceratocone e retinopatia diabética, ações comunitárias, exames em crianças em parceria com o SESC e iniciativas como a Ação Global e o Unidos pelo Diabetes.
Por meio de entrevistas, campanhas e conteúdos educativos divulgados em diferentes regiões do Estado, a entidade também contribui para ampliar o acesso à informação confiável sobre saúde ocular.
Aos 40 anos, a SCO volta suas atenções a desafios como o envelhecimento da população, o crescimento da miopia infantil, e a necessidade de ampliar o acesso à assistência oftalmológica no interior catarinense.
Para André Frutuoso, o futuro da entidade também depende da aproximação entre gerações de especialistas e do fortalecimento da participação dos médicos de todas as regiões.
“A SCO quer que o oftalmologista do interior se sinta tão representado quanto aquele que atua nos grandes centros e em que o jovem médico perceba que tem espaço para participar, propor projetos e contribuir com a construção da especialidade”, afirma.
Quatro décadas depois de sua fundação, a Sociedade celebra o legado dos médicos que participaram de sua criação e das sucessivas diretorias e gerações de associados que ajudaram a consolidar a oftalmologia catarinense.
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