Aguarde, carregando...

Quarta-feira, 07 de Outubro 2026

Eleições 2026

AO VIVO
Apurado: 0%
Aguardando início da apuração oficial...
Saúde

Como o investimento em saúde pode salvar 739 mil vidas no Brasil até 2050

Estudo do McKinsey Health Institute revela que aportes financeiros corretos no setor podem injetar mais de R$ 1 trilhão no PIB do país.

Como o investimento em saúde pode salvar 739 mil vidas no Brasil até 2050
© Tomaz Silva/Agência Brasil
Espaço para a comunicação de erros nesta postagem
Máximo 600 caracteres.
GOOGLE Não perca nossas próximas notícias

Adicione nosso site às suas fontes preferidas para acompanhar nossas notícias. 📰

Um direcionamento estratégico no investimento em saúde pode evitar 739 mil mortes prematuras no Brasil até 2050, além de injetar mais de R$ 1 trilhão na economia nacional. Os dados constam no recorte brasileiro do estudo "A saúde das nações: saúde mais forte, economias mais fortes", divulgado pelo McKinsey Health Institute’s nesta terça-feira (6), em San José, na Costa Rica, durante um seminário promovido pela farmacêutica Roche.

Segundo Brad Herbig, diretor de dados de Saúde do instituto, o segredo não está apenas no volume de recursos, mas na aplicação em ações de alta relação custo-benefício. O especialista defende que as decisões governamentais e privadas devem ser pautadas estritamente por evidências científicas sólidas para garantir que cada centavo gere o maior impacto social e clínico possível.

O relatório reforça que os aportes no bem-estar da população não devem ser encarados como despesas fiscais simples. De acordo com Herbig, esses recursos impulsionam diretamente o crescimento econômico nacional, elevam a competitividade do país no cenário global e geram impactos sociais positivos em diversas frentes do desenvolvimento humano.

Leia Também:

Para estruturar a análise, os pesquisadores avaliaram cerca de 300 intervenções médicas e preventivas baseadas em evidências. Essas ações cobrem 90 patologias e 27 fatores de risco, que juntos representam 85% do fardo global de morbidade. O portfólio analisado engloba desde políticas públicas preventivas até tratamentos médicos complexos de última geração.

Entre as medidas de prevenção coletiva, o estudo sugere a taxação de produtos nocivos, como cigarro e bebidas alcoólicas, além de maior proteção laboral contra poluentes industriais. No âmbito individual, destacam-se a ampliação da cobertura vacinal e a realização em massa de exames preventivos para pelo menos 75% da população vulnerável.

No campo terapêutico, o planejamento avaliou a realização de cirurgias dentro do prazo clínico ideal e a incorporação contínua de medicamentos de alta tecnologia. O foco do estudo é mensurar quantos anos de vida saudável podem ser recuperados caso os governos adotem essas práticas de forma sistemática.

Impacto direto no cenário brasileiro

No contexto nacional, a aplicação dessas medidas poderia elevar a expectativa de vida do brasileiro em cinco anos, alcançando a média de 85 anos. Mais do que viver mais, a população viveria cerca de 76 anos com plena saúde, representando um acréscimo de nove anos saudáveis em relação aos índices atuais.

O retorno financeiro estimado para o Brasil é altamente positivo: cada dólar investido em saúde pública eficiente tem o potencial de retornar 2,1 dólares para o Produto Interno Bruto (PIB). Esse ganho econômico é impulsionado pela redução do absenteísmo, queda na mortalidade de jovens e aumento geral da produtividade do trabalhador.

Herbig aponta que o benefício se estende às futuras gerações. Crianças saudáveis apresentam melhor desempenho escolar e reduzem a sobrecarga de pais e cuidadores, que muitas vezes precisam abandonar o mercado de trabalho para assistir familiares doentes, gerando um ciclo econômico virtuoso para as famílias brasileiras.

A pesquisa revela que 59% de todo o impacto positivo estimado para o Brasil decorre de ações preventivas. Muitas dessas iniciativas ocorrem fora do ambiente hospitalar tradicional, o que exige uma articulação multissetorial envolvendo escolas, empresas e órgãos de planejamento urbano.

Políticas fiscais e prevenção de doenças

O estudo aponta que políticas fiscais voltadas a desestimular o consumo de ultraprocessados, álcool e tabaco são as ferramentas de maior impacto preventivo. No plano individual, o monitoramento cardiovascular e o combate à obesidade — por meio de dietas, exercícios e novos fármacos emagrecedores — são apontados como prioridades urgentes.

Entre os tratamentos que demandam fortalecimento imediato no país, destacam-se a oncologia de precisão, o acesso a medicamentos psiquiátricos e a modernização de insumos hospitalares. O diretor do instituto ressalta que, embora algumas ações tragam retorno a longo prazo, o diagnóstico precoce e o tratamento ágil geram efeitos imediatos na sociedade.

O acesso facilitado a remédios para hipertensão e colesterol é um exemplo de prevenção de baixo custo com resultados rápidos. Até 2050, a consolidação dessas medidas pode reduzir em até 46% a perda de anos de vida por doenças respiratórias crônicas e transtornos mentais no Brasil.

Laudo também indica uma queda de pelo menos 40% nos impactos de doenças cardiovasculares e deficiências nutricionais. Além disso, as perdas decorrentes do abuso de substâncias químicas podem recuar 39%, enquanto os danos causados por diabetes e problemas renais têm potencial de redução de 35%.

Desafios estruturais na América Latina

Em termos regionais, a América Latina investe em média apenas 3,7% de seu PIB em saúde, valor significativamente menor que os 7,9% registrados em nações de alta renda. Desse montante, menos de 5% é destinado à prevenção, apesar de a área concentrar 61% das soluções para evitar mortes prematuras.

Sem as devidas intervenções, o tempo vivido com enfermidades na região pode ultrapassar 12 anos em 2050, gerando um "débito de saúde" que drena a economia latino-americana. O continente enfrenta um envelhecimento populacional acelerado, sem o tempo de transição estrutural que os países desenvolvidos tiveram para se adaptar.

O avanço da obesidade e do diabetes na região agrava o cenário, que também é pressionado pelas mudanças climáticas. Extremos de temperatura influenciam diretamente a incidência de doenças, mas políticas como o controle da qualidade do ar podem mitigar esses impactos futuros, garantindo maior resiliência climática e sanitária.

FONTE/CRÉDITOS: Tâmara Freire - Repórter da Agência Brasil*

Comentários

O autor do comentário é o único responsável pelo conteúdo publicado, inclusive nas esferas civil e penal. Este site não se responsabiliza pelas opiniões de terceiros. Ao comentar, você concorda com os Termos de Uso e Privacidade.

Não possui uma conta?

Você pode ler matérias exclusivas, anunciar classificados e muito mais!
WhatsApp Vale Europeu Notícias
Envie sua mensagem, estaremos respondendo assim que possível ; )
Termos de Uso e Privacidade
Esse site utiliza cookies para melhorar sua experiência de navegação. Ao continuar o acesso, entendemos que você concorda com nossos Termos de Uso e Privacidade.
Para mais informações, ACESSE NOSSOS TERMOS CLICANDO AQUI
PROSSEGUIR