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A rápida expansão da inteligência artificial no Brasil e no mundo está criando uma profunda dependência tecnológica que promete transformar a economia global nos próximos anos, à medida que ferramentas antes gratuitas começam a consolidar mercados e a preparar cobranças mais altas.
O Brasil já se consolidou como um dos três maiores mercados do ChatGPT, registrando cerca de 215 milhões de interações diárias segundo a OpenAI. Globalmente, o aplicativo ultrapassou a marca histórica de 1 bilhão de usuários ativos por mês, conforme dados divulgados pela Reuters.
Manter essa estrutura exige investimentos astronômicos. O Goldman Sachs estima que os aportes globais no setor superem US$ 1 trilhão em 2026, enquanto a Unctad prevê um mercado de US$ 4,8 trilhões até 2033. Esse capital massivo demandará retorno financeiro inevitável.
O valor de mercado e a divisão social
A valorização da Nvidia, que alcançou US$ 5,7 trilhões em 2026, reflete essa expectativa de lucro futuro sobre a infraestrutura digital. O risco iminente é a criação de uma sociedade dividida: sistemas avançados e autônomos para quem puder pagar, e versões limitadas para o restante da população.
Essa disparidade também ameaça o agronegócio. Enquanto grandes grupos agrícolas terão acesso a previsões climáticas e análises de solo ultraprecisas, pequenos produtores podem ficar reféns de ferramentas básicas, ampliando a desigualdade no campo brasileiro.
Com cerca de 40% dos investimentos em IA concentrados em apenas 100 empresas globais, a OCDE alerta para o monopólio cognitivo. Para o Brasil, o caminho não é rejeitar a inovação, mas sim investir em infraestrutura própria e dados nacionais para garantir sua soberania tecnológica.
*Miguel Daoud é comentarista de Economia e Política do Canal Rural. As opiniões expressas não refletem necessariamente a visão do portal.*
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