O Outubro Rosa é um convite à prevenção e ao cuidado com a saúde das mamas. Mas existe uma conversa que também merece espaço nessa campanha: a importância de conhecer o próprio corpo, perceber mudanças e perder a vergonha de falar sobre questões íntimas. O toque, nesse contexto, pode ser uma ferramenta de autoconhecimento e atenção à saúde, sem substituir exames ou avaliações profissionais.
É sob essa perspectiva que a fisioterapeuta pélvica Daniella Rebellato, com 20 anos de atuação clínica e especialização em Saúde da Mulher e Sexualidade Funcional, amplia o debate sobre o cuidado feminino. Ao longo de sua trajetória, ela percebeu que muitas mulheres enfrentam dificuldades para falar sobre o próprio corpo, seja por desconfortos íntimos, alterações no desejo sexual ou insegurança em relação à própria anatomia.
Para a profissional, conhecer o corpo é também desenvolver a capacidade de reconhecer quando algo muda e entender o momento de procurar ajuda. Essa atenção pode envolver desde alterações nas mamas até desconfortos na região pélvica, mudanças na função urinária e evacuatória ou dores durante as relações sexuais.
No contexto do Outubro Rosa, a observação das próprias mamas pode ajudar a identificar alterações que merecem avaliação médica, como nódulos persistentes, mudanças na pele ou no mamilo e secreções espontâneas. Essa percepção, entretanto, não substitui a mamografia quando indicada nem os demais cuidados recomendados pelos profissionais de saúde.
“Conhecer o próprio corpo não deveria ser motivo de vergonha, mas parte do cuidado com a saúde.” Essa é a reflexão que traduz a importância de transformar o silêncio em informação e estimular as mulheres a buscar orientação sempre que necessário.
Com mais de 5 mil atendimentos presenciais e alcance superior a 90 mil pessoas no ambiente digital, Daniella utiliza as redes sociais, cursos e palestras para abordar temas que ainda provocam constrangimento. Seu trabalho aproxima a saúde íntima do cotidiano e mostra que falar sobre o corpo não precisa ser um tabu.
Neste Outubro Rosa, a proposta é ampliar o olhar sobre o autocuidado: além dos exames e das consultas, ele também passa pela informação, pela consciência corporal e pela liberdade de fazer perguntas. Porque cuidar da saúde começa, muitas vezes, quando a mulher deixa de ter vergonha de conhecer o próprio corpo.
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